Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Ambientalismo vs fundamentalismo

A vida não é um cliché

Ideias

2012-03-07 às 06h00

Pedro Machado

Sou um grande defensor do Ambiente, todo o trabalho da Braval é em prol de uma melhor qualidade de vida ambiental da nossa região. No entanto, sou contra o ambientalista-fundamentalista.
Muito se fez, nos últimos anos, em Portugal, pela defesa do Ambiente. Não nos podemos esquecer que, há menos de 20 anos, Portugal era um “mar” de lixeiras a céu aberto, não havia qualquer tipo de civismo em termos ambientais, os slogans da altura, que se aprendiam na escola, eram algo que para nós, hoje, é uma regra cívica do mais básico que há: “Não deitar lixo para o chão!”

Temos, pois, consciência que muito mudou, muito se fez, quer em termos de sensibilização ambiental, quer em termos de infraestruturas e equipamentos do melhor que há para tratar os resíduos. Atualmente, Portugal, em termos de infraestruturas, está ao nível dos outros países europeus, que começaram mais cedo este processo.

Veja-se o caso da área da Braval, há 16 anos, os resíduos eram depositados nas lixeiras a céu aberto, sem qualquer tipo de tratamento nem proteção ambiental. Hoje, para além do aterro sanitário, com as infraestruturas necessárias à deposição segura dos resíduos e tratamento das águas lixiviadas, temos um Ecoparque com várias valências para o tratamento de diferentes tipos de resíduos: a recolha seletiva e triagem das embalagens recolhidas nos ecopontos, o ecocentro, o ponto de recolha de pneus usados, o armazenamento de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos, a recolha de óleos alimentares e aproveitamento para produção de biodiesel, o aproveitamento do biogás produzido no aterro sanitário e, brevemente, a central de valorização orgânica. Tudo isto em 16 anos! Isto é defesa do ambiente mas também é progresso.

A única coisa que se pede é que os resíduos sejam separados, que se separe o orgânico das embalagens, as unidades que existem hoje em dia farão o correto tratamento dos resíduos. Não pedimos que se lavem as embalagens, que se retirem rótulos, lá está, isso é fundamentalismo, não é imprescindível ao tratamento dos resíduos. O que é imprescindível é apenas que sejam separados e colocados nos contentores apropriados, para que possamos tratar adequadamente todo tipo de resíduos.

Por todas estas razões, não posso concordar com certos indivíduos, que em nome de ambientalismo, que para mim não passa de fundamentalismo, travem o progresso do país. Veja-se o caso da co-incineração, há pouco mais de uma década, deixou de se implementar e de se aproveitar os fundos comunitários por causa das “dioxinas” mas continua a verificar-se a queima lixos sem qualquer controlo.

Não posso concordar que não se implemente determinado equipamento ou infraestrutura por se ter de cortar uma árvore. No meu entender, a defesa do Ambiente baseia-se no seguinte princípio básico: se é preciso cortar uma árvore em prol de uma melhor qualidade de vida, se plantarmos 3 árvores, mesmo que seja noutro local, a defesa do Ambiente está salvaguardada.
Assiste-se a inúmeras situações em que se deixam de construir pontes necessárias, barragens necessárias ou deixam de se colocar ecopontos necessários e, por isso, de servir a população, apenas por não se enquadrarem esteticamente na envolvente.

Dou também como exemplo o Parque da Ponte. Se para proporcionar melhor qualidade de vida à população, for preciso cortar algumas camélias, para que deixe de ser um bosque densamente arborizado, onde as pessoas têm medo de circular, para passar a ser uma parque aprazível, com a dose certa de sombra e sol, onde as pessoas podem descontrair e usufruir de um espaço verde no coração da cidade, não será preferível cortar essas camélias?
O país só tem a perder com este tipo de mentalidades fundamentalistas. Tem de haver um equilíbrio!

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