Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Álvaro Cunhal: uma vida dedicada ao povo e ao país

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Ideias Políticas

2013-11-12 às 06h00

Carlos Almeida

Se fosse vivo teria cumprido cem anos, no passado domingo. Álvaro Cunhal, histórico dirigente comunista que faleceu no ano de 2005, é hoje recordado como uma das mais marcantes figuras do século XX português. A si associada tem uma boa parte da história do nosso povo, tanto do que resistiu à repressão do fascismo e foi obreiro da Revolução de Abril, como daquele outro que ainda hoje insiste num novo caminho para o país.

Por ocasião do centenário sobre o seu nascimento, o PCP - partido a que aderiu aos 17 anos e ao qual se manteve ligado até morrer - tem vindo a promover por todo o país um vasto programa de comemoração. Exposições, debates, ciclos de cinema, publicações, congressos, comícios, espectáculos musicais e teatrais fazem parte desta iniciativa que mais do que promover uma justa homenagem, tem vindo a afirmar a coerência do pensamento, a dedicação e o contributo inigualáveis com que Álvaro Cunhal, enquanto voz e rosto do seu partido de sempre, presenteou a nossa vida colectiva.

Lembrar Álvaro Cunhal e homenageá-lo é, no entanto, muito mais do que rever imagens ou reler discursos. É, acima de tudo, assumir para si aquele que foi o seu compromisso de uma vida inteira - servir o povo e os trabalhadores, resolvendo os seus problemas e concretizando um projecto de desenvolvimento para o país.

Compromisso urgente e inadiável face à ingerência política e económica que Portugal vive em virtude das imposições da troika. A este propósito, atrevo-me a recordar o que escreveu Cunhal, entre muitos outros exemplos, na obra “O Partido Com Paredes de Vidro” (1985): «A permissão da criação em Portugal de grandes bancos estrangeiros, a entrega de sectores-chave da economia portuguesa às multinacionais, a adesão à CEE e os acordos de capitulação com ela assinados, a aceitação das imposições leoninas do FMI, as novas concessões militares em território português feitas aos Estados Unidos e outros países da NATO - são testemunhos da progressiva entrega de Portugal ao estrangeiro pela política de restauração monopolista».

Pelo que, adiante, acrescenta: «A política dos grandes capitalistas, dos latifundiários e dos partidos que os servem» - a troika nacional constituída pelo PS, PSD e CDS - «é (…) uma política que agrava os laços de dependência, uma política que diminui, limita, fere e compromete a soberania e a independência nacionais». De espantoso acerto e de uma absoluta actualidade estas palavras de Álvaro Cunhal escritas há quase três décadas.

Tal como esta curta referência escrita, muito do pensamento de Álvaro Cunhal projecta-se nos dias de hoje e, através dele, toda a intensa luta que lhe dá corpo.
Não há pois melhor maneira de homenagear Álvaro Cunhal do que dar continuidade à sua luta, à luta do seu partido, por um mundo mais justo e solidário.

Passados oito anos desde que partiu, são muitos milhares os que, muito além das fronteiras do PCP, o recordam como homem íntegro, exímio intelectual, multifacetado artista e revolucionário exemplar.
Recordam-no sem endeusamento nem veneração.
Recordam-no nas lutas do dia-a-dia, nas conquistas a proteger ou no sonho a concretizar.
Recordam-no nas palavras que hoje se confirmam e no ideal que amanhã se cumprirá.

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