Correio do Minho

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Ideias

2012-09-04 às 06h00

Jorge Cruz

No interregno de pouco mais de dois meses desde a última crónica que escrevi para este jornal muitos foram os acontecimentos, a nível local e no plano nacional, que gostaria de ter comentado. Em alguns casos, a distância temporal desaconselha que o faça agora, por manifesta falta de actualidade dos mesmos, mas creio que uma ou outra dessas ocorrências ainda justifica um breve apontamento.

Começo, assim, pelo falecimento de um grande bracarense, um Homem que embora tendo nascido na Póvoa de Lanhoso, desempenhou variadíssimas funções públicas em Braga, sempre com alto espírito de missão e de serviço público, assumindo como prioridade permanente servir a sua cidade, suas instituições e os seus concidadãos.

Tive a honra e satisfação de privar de perto com o Eng.º Alberto Vale Rego Amorim - é a ele que me refiro. As vicissitudes da vida que em certas ocasiões contribuíram para a proximidade com ele e para a amizade que entretanto se cimentou deram-me um conhecimento mais profundo do Homem, já que a sua vasta obra é por demais conhecida. Fizeram com que o conhecesse melhor, com que descobrisse a sua personalidade e comprovasse as suas enormes qualidades humanas.

Aqueles que com ele privaram, que conhecem o seu percurso e o trabalho que desenvolveu, tantas vezes materialmente desinteressado, sabem que não estou a exagerar. É também por isso, pelo seu exemplo de verticalidade e pelo humanismo de que deu vastas provas, que não ficaria de bem comigo próprio se não fizesse agora, no regresso a estas colunas e a título de singela homenagem, a evocação da sua figura.

Outro facto ocorrido no período de interrupção destas crónicas é de sinal bem diferente, bastante alegre até, e tem a ver com o comportamento de dois atletas de Braga nos Jogos Olímpicos de Londres.

De facto, o canoísta Emanuel Silva conquistou, em equipa com Fernando Pimenta, a medalha de prata na final olímpica de K2, o que correspondeu a uma das melhores proezas de sempre do desporto português, já que se tratou da primeira medalha conquistada por Portugal nesta modalidade. Por seu turno, a maratonista Jéssica Augusto alcançou o melhor resultado de uma portuguesa na maratona olímpica desde 1996, ao terminar no sétimo lugar. A atleta bracarense, que foi a terceira melhor europeia, considerou o lugar como uma medalha.

Mais recentemente, merece também particular destaque a justa reafirmação do estatuto europeu do Sporting Clube de Braga, ao impor-se peremptoriamente perante a Udinese para se integrar por direito próprio na alta-roda do futebol europeu. Associo-me agora, obviamente, às congratulações quase generalizadas. O preito da Câmara Municipal de Braga, que deveria ter sido dos primeiros, chegará em breve, segundo se espera.

A enorme trapalhada que a Administração Regional de Saú-de (ARS) do Norte montou no processo de nomeação dos presidentes dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) constitui outro tema interessante para análise, embora também neste caso melhor fora que não existisse matéria para tal.

Acontece, porém, que na maior parte dos casos foram contratadas pessoas exteriores ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), numa política que segundo a Federação Nacional de Médicos (FNAM) aumentará desnecessariamente a despesa anual em cerca de meio milhão de euros. Acresce o facto não despiciendo de muitos deles não terem a experiência e/ou a formação exigidas: dos 12 novos directores executivos dos ACES Norte, apenas quatro são provenientes da área da saúde e só dois deles com a formação específica exigida pela lei, refere o Sindicato dos Médicos do Norte.

As acusações de que se trata de contratações sem qualquer critério ou garantia, antes para satisfazer clientelas partidárias, passam a constatações, quando se analisam os currículos dos nomeados. Aliás, o próprio Marcelo Rebelo de Sousa subscreve de certo modo as preocupações dos médicos, designadamente quando afirmou (TVI, 19 de Agosto): “não sei se são (nomeações) partidárias, mas que são muito pouco justificadas, são.

Não só não têm, na generalidade, nenhuma experiência no domínio da saúde, como não são currículos particularmente impressivos e, portanto, permitem a leitura de que houve ali uma distribuição de lugares entre PSD e CDS”.
O tema é demasiado sério, demasiado importante, para se poder permitir aos responsáveis partidários prosseguir com contas de merceeiro nas nomeações para o aparelho de Estado.

Finalmente o inenarrável caso RTP: um assunto tão escaldante, tão controverso como será a eventual privatização de um dos canais públicos, uma matéria que deve ser tratada com pinças, acabou por cair na praça pública da pior forma - através de um consultor, ou seja, de uma pessoa sem quaisquer responsabilidades políticas. E se a forma utilizada (uma entrevista de um funcionário/mensageiro) já foi bastante má, que dizer do conteúdo (mensagem), sem qualquer correspondência com o programa de governo do PSD?

Por enquanto, a melhor síntese das ondas de choque provocadas pelas palavras da lebre de Miguel Relvas na TVI terá sido a declaração de Paulo Portas ao Expresso do passado fim-de-semana: “Vai ser preciso um esforço para recuperar o sentido de compromisso que PSD e CDS demonstraram quando negociaram o programa do Governo. Estamos cá para isso”.

O descontentamento do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros com a forma como o seu colega de governo Miguel Relvas conduziu o dossiê da RTP, fazendo avançar a lebre Marques com a concessão do primeiro canal e a extinção da RTP2, prende-se com o facto de esta ser uma hipótese que não estava incluída no programa do Governo. Mas comprova também que o desnorte de que dão mostras alguns ministérios está a causar grande desconforto nas hostes dos dois partidos da coligação. É certo que neste caso o próprio Passos Coelho já “corrigiu o tiro”, desautorizando Relvas, mas o aviso de Portas é também uma mensagem clara para a remodelação que se aproxima.

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