Correio do Minho

Braga, sábado

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Algumas tradições de S. João

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2018-06-24 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Celebra-se hoje uma das maiores festas populares portuguesas, em homenagem ao santo que baptizou Jesus Cristo.
Conhecido por ser o santo protetor dos casados e dos doentes, o S. João é festejado em muitas localidades portuguesas com tradições semelhantes como: as cascatas sanjoaninas, os cortejos alegóricos, os balões de ar quente, os manjericos, os martelos de plástico e, ainda, os alhos porro. Na gastronomia, não pode faltar a broa de milho, o caldo verde, o pimento e a sardinha assada acompanhados de um bom vinho.
Por se tratar de uma festa tipicamente popular, várias localidades portuguesas conseguiram, por outro lado, desenvolver tradições próprias que acabaram por associar, de forma bem vincada, esta festa à cultura da própria localidade.
Assim, em Vila Franca do Campo, nos Açores, uma das particularidades dos festejos do S. João traduzia-se na ida das mulheres às três fontes “Masculinas” do concelho: S. Lázaro, S. Miguel e ao Bom Jesus Menino onde, depois de misturarem a água aí recolhida, colocavam-na em dois recipientes. De seguida, num recipiente deitavam pétalas de rosas e lavavam o rosto para ficarem mais belas; no outro recipiente a água era utilizada para fazer o pão, que depois de consumido prevenia os bruxedos e maus-olhados!
Na região do Algarve, as raparigas dançavam em redor de um mastro decorado com madressilva e flores de S. João, enquanto os rapazes tornavam-se adultos quando conseguiam saltar uma fogueira.
Em Beja, terra de calor e de seca por excelência, a falta de chuva era uma enorme preocupação. Assim, na noite de S. João colocava-se numa tábua doze porções de sal que correspondiam aos meses do ano. Na manhã seguinte, os amontoados de sal que estivessem mais húmidos corresponderiam aos meses mais chuvosos e dessa forma os populares já saberiam o que lhes reservada o clima nos meses seguintes!
Na região da Beira Alta era costume criar, no topo dos montes, enormes amontoados de lenha, tendo no meio um tronco bem alto que, depois de aceso, os rapazes dançavam em torno dele ao som da música dos tambores e pífaros.
Em Coimbra festejava-se o S. João em torno de fogueiras, dançando e tocando guitarradas típicas do ambiente estudantil conimbricense.
Na Figueira da Foz, o S. João era festejado com mascaradas e, à meia-noite, os festeiros tomavam um banho no mar, completamente nus, apenas protegidos pela escuridão da noite!
Em Lisboa, na noite de S. João, as raparigas colocavam na mesa dois pratos, com os respetivos talheres e iguarias. Quando à meia-noite começam a comer, no lugar vazio surgia-lhe a figura do futuro noivo.
No Porto, os banhos que ocorriam na manhã de S. João serviam para eliminar vários males, assim como as cinzas das fogueiras serviam para curar doenças de pele. Ainda no Porto, uma mulher que se deitasse na relva húmida fica apta para engravidar!
Em Tabuaço (Viseu) na noite de S. João, as raparigas deviam colocar três favas debaixo da almofada: uma descascada, outra meia descascada e uma outra com toda a casca. Após a meia-noite, a rapariga tirava uma fava à sorte ficando de seguida a conhecer o que lhe reservava o futuro: se lhe saísse a fava com casca a rapariga casaria rica, se lhe saísse a fava sem casca casaria pobre e se lhe saísse a fava com meia casca, casaria remediada!
Ainda em Trás-os-Montes, se as raparigas cortassem as pontas do cabelo e as colocassem, antes do nascer do Sol, sobre uma silva mansa, as suas pontas de cabelo não voltariam a espigar!
Em Braga, atualmente, o S. João decorre um pouco por toda a cidade, com uma particular concentração dos festeiros entre a Avenida da Liberdade e o parque da Ponte, onde está situada a capela de S. João. A dança do Rei David, as cascatas e as figuras bíblicas que são colocadas no rio Este, junto à ponte de S. João, são algumas das tradições que aqui se mantêm.
S. João, o profeta do Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, é festejado um pouco por todo o país, tendo cada localidade as suas tradições, algumas delas muito peculiares, mas todas centradas em elementos comuns: o cheiro intenso a sardinha assada, o alho-porro, os manjericos, e ainda o ensurdecedor som dos martelinhos!

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