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Ai Costa, a vida Costa!

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Ideias Políticas

2015-10-20 às 06h00

Francisco Mota

A política é por si só uma arte, que deve honrar o seu exercício através de quem a pratica, o político, nunca sobrepondo o interesse individual ao interesse público. Qualquer um de nós já expressou ou então ouviu dizer “que na política não vale tudo para atingir os fins” e esta é uma ideia de que mais do que nunca está actualizada para o momento que Portugal vive. Nunca eu, e certamente que os portugueses, pensamos encontrar no exercício desta arte, o pior dos artistas.

Numa encenação muito pouco responsável e oportunista, assistimos nas últimas duas semanas a episódios muito pouco sérios entre António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Se da extrema esquerda, já nada se augura de bom, tenho que admitir que esperava do lado do Partido Socialista uma atitude responsável e de respeito democrático face aos resultados eleitorais.

Mas vejamos: Assumindo o Papel principal com Costa, Catarina Martins procura com actual conjuntura não derrubar a direita, mas sim o Partido Socialista. A estratégia e arrogância de quem tem cerca de 90% dos portugueses a não acreditarem no seu projecto político, não pretende a estabilidade do País, mas sim em 2016, tirar literalmente o tapete aos Socialistas.

Eles já avisaram, continuamos contra a União Europeia, queremos a renegociação da dívida e somos contra o Euro, contudo para já, esquecemos tudo isto, aprovamos um governo do qual não queremos fazer parte e no próximo orçamento de estado voltaremos a defender os nossos credos, mas porque? Aproveitando a sede de poder de Costa, o objectivo é deixar no PS o ônus político de não romper com os compromissos internacionais, provocar eleições e com isso atacar o eleitorado do Partido Socialista. No fundo o BE quer ser o Syriza português e colocar Portugal no mesmo caminho da Grécia.

Por seu turno Jerónimo de Sousa, num papel secundário, indo atrás do prejuízo, alinha com o BE num ataque cerrado ao sistema democrático. No fundo o Parti-do Comunista procura instalar de novo o PREC, que foi derrubado no 25 de Novembro de 75, pois desde aí que nunca mais lideraram e impuseram um País.

Por último, o papel de artista principal é ocupado por António Costa, que têm mantido uma postura contraditória e pouco esclarecedora. Temos ouvido um pouco de tudo por parte do PS para justificar a sua conduta perante os resultados eleitorais. Porém, o facto mais indiscutível e saliente desses resultados nunca foi mencionado por Costa, a saber, que a Coligação venceu inequívoca e expressivamente as eleições, e que o PS as perdeu.

Daí decorre a conclusão de que o programa eleitoral que foi sufragado maioritariamente pelos portugueses foi o da Coligação Portugal à Frente e não o do Partido Socialista. Como ainda referiu recentemente Passos Coelho 'A Coligação tomou a iniciativa de, perante a passividade do PS, apresentar um “Documento Facilitador de um Compromisso entre a Coligação Portugal à Frente e o Partido Socialista para a Governabilidade de Portugal”.

Nesse documento incluímos 23 propostas extraídas do programa eleitoral do PS, garantindo portanto uma base de partida para um compromisso necessário e a coerência de um futuro programa de governo que contivesse elementos dos dois programas eleitorais, sem no entanto subverter nem os objectivos gerais previamente anunciados (os compromissos europeus e as limitações orçamentais decorrentes), nem o próprio programa eleitoral da Coligação sufragado maioritariamente pelos Portugueses.

De facto, ninguém no País compreenderia que o PS exigisse que a Coligação governasse com o programa do PS, o que constituiria uma perversão total dos resultados eleitorais. Mais, essas propostas que fizemos e que foram extraídas do programa eleitoral do PS correspondem às áreas de governação consideradas prioritárias pelo comunicado emitido pela própria Comissão Política Nacional do PS no passado dia 6 de Outubro.' Então o porque desta atitude de Costa?

A razão para tamanho desequilíbrio apenas se justifica com o desespero de chegar ao poder a todo o custo, olhando apenas para a sua sobrevivência política e não aos interesses maiores da nação. António Costa nunca quis negociar com quem ganhou as eleições, mas sim ser um derrotado vencedor num acto de secretaria definido como Golpe de Estado.
Em toda esta encenação esperamos pelos próximos episódios, não que o líder do PS me encha de esperança com outro registo que não o que tem mantido até agora. Mas veremos, para já: Ai Costa, a vida Costa!

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