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Braga, quarta-feira

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Água. Um património a defender.

Chegou uma banda desenhada de sucesso...

Água. Um património a defender.

Escreve quem sabe

2019-05-04 às 06h00

Jorge Dinis Oliveira Jorge Dinis Oliveira

A chuva cai, infiltra-se no solo, recarrega os aquíferos. Evapora-se antes de alcançar o solo, é intercetada pela vegetação e pelos edifícios e volta a evaporar-se. Escoa superficialmente até às linhas de água que se transformam em ribeirinhos, ribeiras e rios que desaguam no mar. Os aquíferos contribuem para o escoamento dos rios e parte desta água subterrânea também escoa para o mar. A água do mar, por ação do sol evapora, condensa e volta a precipitar. Este é o ciclo hidrológico ou ciclo da água e descreve os caminhos através dos quais esta circula e se transforma na natureza. E sim, é mais complexo do que este resumo transparece.
Assim, nada se perdendo e tudo se transformando, a quantidade de água existente no nosso planeta tem permanecido praticamente constante há milhões de anos.

Como em tudo o resto, o ser humano desde cedo se fez sentir no ciclo hidrológico alterando de modo significativo a ocorrência da água, quer do ponto de vista da sua quantidade, quer da sua qualidade.
Os principais impactos, que decorrem da necessidade de captar, tratar, armazenar e distribuir água, resultam não só do armazenamento de grandes volumes de água em albufeiras, o que altera o regime natural dos caudais dos rios e aumenta a evaporação; mas também da extração de volumes importantes de água nos rios, aquíferos, lagos e albufeiras para consumos diversos; e da rejeição de efluentes domésticos e industriais.
No caso particular da bacia hidrográfica do nosso Cávado os efluentes de origem urbana são ainda dos que mais significativamente contribuem para esse impacto. Assim, apesar de na bacia hidrográfica do Cavado ainda se encontrarem locais praticamente imaculados, os cursos de água evidenciam uma degradação ecológica moderada.

De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, apesar de os aquíferos europeus serem, em geral, de boa qualidade, somente 40% das águas superficiais monitorizadas (lagos, rios, zonas costeiras) alcançaram o valor mínimo de “boa” ou “elevada” qualidade ecológica entre 2010 e 2015.
A água não é um produto comercial como outro qualquer, mas um património que deve ser protegido, defendido e tratado como tal. A frase, que subscrevo na totalidade, pode ser encontrada na Diretiva-Quadro da Água. Mas estaremos mesmo a proteger este património? Ou estaremos a considerar a água potável como um dado adquirido? Que nos indica os resultados apresentados pela Agência Europeia do Ambiente?
Estaremos a implementar todas as medidas ao nosso alcance para prevenir contaminações das massas de água e, se estas ocorrerem, agir rapidamente no sentido de minimizar os impactos nas populações e meio ambiente?
Não desvalorizando a importância que os combustíveis têm na distribuição de medicamentos, alimentos e outros bens de primeira necessidade, vamos imaginar, por uns breves instantes, que o que nos faltava, não era combustível nas bombas, mas, sim, água potável nos fontanários, nascentes, minas, furos, poços e nas torneiras de nossas casas…

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