Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Agricultura sustentável e Familiar

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2014-04-02 às 06h00

Pedro Machado

Na situação económica que o país atravessa, assiste-se a um ressurgimento de atividades que há cerca de duas décadas deixaram de ser estratégicas.
A nossa agricultura está novamente a despertar como atividade estratégica, o setor tornou-se novamente fundamental.

A agricultura pode ser um caminho para desenvolver o empreendedorismo, potenciar o emprego e as exportações é, portanto, uma área a ter em conta. Por exemplo, a raça Barrosã, uma raça autóctone do norte do país, já esteve em risco de desaparecer e, neste momento, devido a muitos projetos de jovens agricultores, a raça Barrosã tem um efetivo de animais que garante a sua sustentabilidade futura.

A agricultura é um setor próspero que tem vindo a aumentar as nossas exportações, é um setor estratégico para a economia nacional. Acima de tudo, mais do que em grandes quantidades, o potencial do nosso país é a diferenciação pela qualidade, devemos apostar em produtos diferenciadores e de elevada qualidade de modo a potenciar as exportações.

Deveremos também apostar na agricultura sustentável, garantir a continuidade dos ecossistemas e, simultaneamente, retirar do próprio ecossistema os recursos necessários às culturas. A agricultura sustentável tem três objetivos principais. Em primeiro lugar, a conservação do meio ambiente.

Mais uma vez, temos que compreender que os recursos naturais do planeta são limitados, o futuro só poderá ser garantido e sustentável se, compreendendo este facto, fizermos tudo para conservar os recursos de que dispomos. Para além dos meios de produção, a agricultura sustentável também deve ter em conta a correta gestão dos resíduos que gera. Contudo, ao retirar muitos dos recursos utilizados do ecossistema, a quantidade de resíduos gerada será também menor.

Uma das formas de agricultura sustentável é a agricultura biológica que tem vindo a ser uma aposta cada vez mais certeira. Apesar dos produtos gerados poderem ter uma qualidade inferior em termos de aparência e serem um pouco mais caros, tornam a alimentação mais saudável e natural pois não utilizam pesticidas. Ora numa sociedade que, cada vez mais, valoriza a saúde e o retorno aos produtos tradicionais, os produtos biológicos acrescentam valor e poderão ser um nicho de mercado em crescimento.

Muito importante também, é a utilização de fertilizantes da nova geração. Com a entrada em funcionamento da nova CVO/TMB (Central de Valorização Orgânica com Tratamento Mecânico e Biológico) no Ecoparque Braval, prevista para junho, serão produzidas 5000 toneladas de composto de verdes e orgânicos, disponíveis para utilização na agricultura. Também aqui, a nova geração de jovens agricultores será chamada a consumir este tipo de fertilizante altamente rentável para a produção agrícola.

Portanto, a agricultura sustentável tem também como objetivos a criação de unidades agrícolas lucrativas e prósperas, ou seja, a capacidade que uma determinada unidade agrícola tem de continuar a produzir, sem esgotar os recursos do solo e com o mínimo de aquisições do exterior.
Este ano assinala-se também o Ano Internacional da Agricultura Familiar por decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em reconhecimento da contribuição da agricultura familiar para a segurança alimentar e para a erradicação da pobreza no mundo.

Na nossa região as unidades agrícolas familiares estão muito enraizadas, quer como atividade principal, quer como complemento de rendimentos.
A agricultura familiar preserva os alimentos tradicionais, além de contribuir para uma alimentação equilibrada, para a proteção da agrobiodiversidade e para o uso sustentável dos recursos rurais.

A agricultura familiar representa também uma oportunidade para impulsionar as economias locais, especialmente quando combinada com políticas específicas destinadas a promover a proteção social e o bem-estar das comunidades.

A agricultura, durante tanto tempo menosprezada, é atualmente um setor em franco crescimento e que deve ser tido em conta no desenvolvimento económico do país.
Os erros estratégicos do passado devem ser reparados urgentemente.

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