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Agnus Dei

O maior desafio dos 50 anos de Democracia

Agnus Dei

Ideias

2023-12-26 às 06h00

João Marques João Marques

PSD e CDS-PP chegaram a um entendimento e concorrerão em conjunto às próximas eleições legislativas e europeias. Aos partidos aliam-se igualmente independentes que acabam por emprestar um cunho de liberdade comprometida, ao mesmo tempo soltos partidariamente, mas vinculados cívica e politicamente a um projeto que tem como maior propósito cortar com um caminho estatizante, infantilizador da sociedade civil e puramente oportunista no sentido e alcance das políticas escolhidas e implementadas.
O que isto significa é que a alternativa ao PS se torna mais forte, mais coesa e mais clara no confronto com a fragmentação à esquerda e a bipolaridade no restante espectro ideológico, que balança entre o extremismo e a inconsequência.

Os portugueses têm agora sedimentado um caminho e uma proposta que têm a marca da estabilidade, do reformismo e do interesse nacional.
A escolha do nome não é obviamente inocente, remetendo o eleitorado para o muito que esta aliança já permitiu construir na década de 80 e reconstruir no pós-guterrismo e pós-socratismo.
Nunca esta coligação perdeu com o PS e esse é um trunfo psicológico cujo valor facial é interessante, ainda que de nada valha para o que importa...e o que importa é o futuro.
Ganhar as próximas eleições é um imperativo patriótico. Sem bacoquismos ou tremendismos de ocasião (todas as eleições são apelidadas das mais importantes de sempre), mas com total consciência do que escrevo e, por isso, repito: as próximas eleições são as mais importantes das últimas décadas e permitirão perceber que país teremos daqui a 40 ou 50 anos.

Não desconheço nem desconsidero que é, até, possível, que em 6 ou 8 meses podemos estar novamente num processo eleitoral, mas mesmo isso é a tradução da importância que aqui enuncio.
Se o país entender conferir ao PS, ou à esquerda, nova maioria, seja ela geringonçada ou não, a tentação de um país mexicanizado (que já hoje parece hipnotizado e paralisado por essa triste noção de que mais vale o fraquinho PS do que o risco da alternativa) será consolidada. Daí decorrerá que o que já hoje acontece na administração pública, nos altos cargos nacionais e internacionais onde Portugal pode livremente designar os seus dirigentes e representantes começará a refletir um regime factualmente unipartidário. Veremos, aqui e ali, para disfarçar a desfaçatez de tudo controlar, a imposição de um independente ou mesmo de alguém da fação oposta. O problema é que, para além de estética, essa salada de fruta institucional, terá pouca variedade e apenas servirá para desenjoar do sabor predominante e intoxicante do fruto proibido, o do poder...total, corrompido e intragável.

A democracia é um meio para atingir um fim, mas, como todos os sistemas, não é imune à degenerescência. Uma democracia formal, em que eleições acontecem e os votos são expressos em urna nada nos diz sobre se e como prospera a democracia real num dado país. De que nos serve escolher, se nada verdadeiramente está em cima da mesa para debater e divergir. Se toda a administração pública é indicada e controlada, década após década pelo mesmo partido? Se a comunicação social é assoberbada por consultores de comunicação e “fontes” pagos, subsidiados ou alimentados pelo governo? Se até os rodapés dos principais noticiários informativos, como bem demonstrou o Secretário-Geral do PSD recentemente, insistem na versão oficial saída do Largo do Rato e não na informação diretamente vinculada por aqueles que representam os partidos e instituições sobre quem as notícias dizem respeito? Se o poder legislativo começa a estar capturado pela visão socialista e nada que não seja visto ou aceite pelo PS passa ou é implementado? Se o poder judicial começa a temer represálias por cumprir o seu papel?

E se a tudo isto juntarmos a falência dos serviços públicos, com a saúde e a educação em grande destaque, vemos que já nem é o socialismo que falha, é o país como um todo que não resiste a mais ideologia de pacotilha e teimosias de fação que não fazem tremer os “joelhos dos alemães”, mas as parcas poupanças dos portugueses.
AD é sinónimo de rutura, de recuperação e de reformismo, os três “R” que se demonstraram imprescindíveis para que o país prosperasse e os portugueses se vissem refletidos na política e nos políticos.
AD são também as iniciais de “cordeiro de deus” (Agnus Dei), a oferenda sacrificial que, no catolicismo, permitiu a salvação retirando o pecado do mundo. É verdade que as sucessivas Alianças Dem- ocráticas têm servido como protagonistas de sacrifícios políticos para que venha depois o “diabo” PS (sim, o diabo já há muito chegou) desperdiçar tudo quanto por elas é contruído. Mas talvez nesta época natalícia não haja melhor mensagem do que essa mesma. Os portugueses seguramente não se esquecem que a AD, independentemente da dificuldade da tarefa, nunca os deixou cair e que volta agora, numa época de carência de bons políticos e políticas, para tentar restaurar a sua confiança na democracia e no país.

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