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Afinal como é que é?

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Afinal como é que é?

Escreve quem sabe

2020-05-17 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

Começo por um termo que, infelizmente, está nas bocas do mundo: COVID.
Já todos ouvimos “o COVID” e “a COVID”. Na realidade, COVID-19 é um acrónimo construído a partir da expressão inglesa “COronaVirus Disease 2019” (ano em que a doença foi identificada pela primeira vez). Todavia, apesar de ser um acrónimo, cuja construção normativa sugere o uso de maiúsculas, há dicionários que aceitam que se escreva com minúsculas (covid-19 – em https://dicionario.priberam. .org/covid-19, acedido em 15-05-2020).
Na página eletrónica da Organização Mundial de Saúde (OMS), lemos a seguinte informação: os nomes oficiais são - COVID-19, para referir a doença do coronavírus; e SARS-CoV-2, para o novo ou "segundo" coronavírus da síndrome respiratória aguda severa (em https://bit.ly/2Wzpqch, acedido em 15-05-2020, tradução minha).
Assim sendo, devemos referir a doença no feminino (a COVID-19) e o vírus no masculino (o coronavírus).

Embora esta regra seja cada vez mais frequente, ainda há alguma alternância no uso do feminino e do masculino, mesmo em páginas de entidades oficiais. Na página eletrónica da Direção Geral de Saúde (DGS), as entradas mais recentes fazem uso do feminino, mas os primeiros comunicados e algumas outras referências usam o masculino (ex.: “O COVID-19 pode ser transmitido através de alimentos, incluindo os refrigerados e congelados?”; “Quais são os grupos considerados de risco para o COVID-19?” em https://covid19.min-saude.pt/perguntas-frequentes/, acedido em 15-05-2020). Na página governamental “EstamosOn”, lemos “Encontre aqui toda a documentação oficial relacionada com o Covid-19” (em https://covid19estamoson. gov.pt/, acedido em 15-05-2020).

Ainda no que respeita a notícias à volta desta pandemia e dos seus efeitos, encontrei alguns aspetos menos corretos no uso da língua portuguesa espalhados um pouco por todos os meios de Comunicação Social.
Na realidade, começo por uma expressão latina muito usada e que oralmente não conseguimos detetar qualquer erro. Trata-se da locução latina “a priori”. Apesar de o “a” ser aberto, não tem acento gráfico, pois em latim não havia acentuação gráfica. Devemos, também, colocar a expressão em itálico, quando escrito no computador ou entre aspas se for manuscrita. Erram, pois, o Observador (“houve quem discordasse à priori do calendário” - em https://bit.ly/3dP4tzW, acedido em 15-05-2020) e o Jornal de Monchique (“todos poderão colocar perguntas à priori, - em https://bit.ly/2zEQSwq, acedido em 15-05-2020).

E termino com a perpétua confusão entre “devido a” e *“derivado a”. Escreve o dnotícias que “houve bombeiros a serem rendidos no hospital derivado a esta situação.” (em https://bit.ly/2zMYT24, acedido em 15-05-2020); o Jornal Económico refere que “o campeonato da Europa (ser) adiado, derivado a um problema de calendário” (em https://bit.ly/3cDUOfs, acedido em 15-05-2020). “Derivado” é seguido da preposição “de”, simples ou contraída, e devemos usar esta expressão para dizer que algo é “derivado de outra coisa”, ou seja, que tem origem nela – “O queijo é derivado do leite”, por exemplo. Quando referimos a causa, devemos usar a expressão “devido a”, que significa “por causa de” – “O campeonato será adiado devido a um problema de calendário.”.

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