Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Adolescentes e a(s) vergonha(s)

‘O que a Europa faz por si’

Escreve quem sabe

2014-01-26 às 06h00

Joana Silva

Em pequeninos os ‘melhores do mundo’ são os pais, na adolescência os amigos ocupam esse mesmo lugar. Certamente que já observou adolescentes que acompanham os pais, por exemplo, num passeio da rua em direção a algum sítio ou local. De prestar atenção, ao comportamento não-verbal, pois o corpo também ‘fala’ e muito. Repare que por norma, dirige-se cabisbaixo, dois ou três passos à frente ou atrás dos pais (e não lado-a-lado), e olha usualmente para os lados, a fim de verificar se está a ser observado.

Este constrangimento é sentido pelo jovem, mas não só, também para os pais que ao aperceberem-se do comportamento do filho não o aprovam. Posto isto, podem adoptar dois tipos de atitudes. A primeira, diz respeito, ao questionamento imediato, por vezes, de forma exaltada e contestatária do porquê de tal postura. A segunda, remete para o silêncio e o questionamento constante mental, ‘Será que o meu filho tem vergonha de mim?’ dando lugar a uma enorme tristeza interior.

Os filhos não têm vergonha dos pais, apenas são mais susceptíveis a algumas atitudes mais ‘infantis’ que os pais possam ter para com eles. Assim sendo, por exemplo, é-lhes inconcebível ter o rótulo de ‘menino da mamã’ perante os amigos. Os adolescentes aborrecem-se com telefonemas sistemáticos que tem como finalidade a resposta à check list de perguntas dos pais: ‘Onde estás?’, ‘Com quem estás?’, ‘Já jantaste?’, ‘O que comeste?’, ‘Estava boa a comida?’…o autêntico ‘ relatório, passo-a-passo’.

Daqui pode surgir a categorização de ‘mãe melga’, cujo significado se traduz na mãe que não aceita ficar sem respostas. Uma outra situação que os desagrada, é que os pais ‘falem por eles’, como se não soubessem o que dizer ou fazer. Os adolescentes ficam embaraçados também quando os pais recordam a outras pessoas, peripécias infantis, como por exemplo, ‘Não dormia sem o ursinho.

Dava-me pena o peluche, todo roído nas orelhas e cheio de baba’. Pensamento automático do jovem, ‘O que é isto que a minha mãe está a dizer?! Socorro.’ Manifestações de carinho, seja em expressões orais seja nas expressões comportamentais (‘fofinho’, ‘és o melhor filho do mundo’, ‘meu príncipe’, ‘o beijinho da mamã?’ etc.) à frente dos amigos são dispensadas pelos jovens. Assim como, os diminutivos no nome são ‘proibidos’, pois podem remeter para interpretações de fragilidade particularmente para aqueles que já tem alcunhas ‘mais rebeldes’.

Sentem-se igualmente ‘acanhados’ a quando, por exemplo, de gargalhadas, o falar alto, ou comportamentos ‘mais excêntricos’ ‘aos seus olhos’(dançar efusivamente numa festa da terra, contar piadas etc.) por parte dos pais e não é à toa que verbalizam ‘ vão ficar a olhar para nós’ ou a ‘dar demasiado nas vistas’. Posto isto, torna-se necessário explicar-se aos adolescentes que os pais não agem intencionalmente com certos comportamentos para lhes causarem ‘vergonha’ perante os amigos, mas sim por se preocuparem e por sentirem orgulho nos filhos. Receiam que se metam em ‘sarilhos’.

Quanto aos adolescentes que se mostram mais resistentes a querer ‘ouvir as explicações dos pais’ torna-se importante referir que um dia serão igualmente pais e que o que não entendem hoje, amanhã compreenderão.

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