Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Adivinhem quem voltou

Um futuro europeu sustentável

Ideias Políticas

2015-10-20 às 06h00

Carlos Almeida

Há muito tempo que não se via nada igual. Aliás, que me lembre, eu e todos os que para o bem e para o mal nasceram já nos anos 80, não podíamos sequer ter assistido a algo semelhante. No entanto, como ainda não há nada que nos impeça de conhecer a história dos acontecimentos, atrevo-me a dizer que a última vez que fomos bombardeados com tanta informação carregada de preconceito e ódio terá sido nos tempos do PREC.

Se, desde então, a voz do dono foi sendo cuidada e amaciada, de maneira a fazer parecer que vivemos todos numa bela democracia, a verdade é que bastou surgir a possibilidade de um governo viabilizado ou apoiado pelo PCP, que não demorou muito a cair-lhes a máscara.
É vê-los nos espaços de comentário político nas televisões, tão assustados que tremem que nem varas verdes, a destilar os sentimentos guardados há anos. É ler os editoriais e artigos de opinião na imprensa escrita, onde abundam os laivos do fascismo mais genuíno. Sugiro aos mais distraídos, e que eventualmente julguem que estou a exagerar, a leitura de um editorial publicado na semana passada nos jornais de um mesmo grupo informativo “sobre o actual momento político”.

O mesmo texto, o mesmo ódio ao PCP, propagado em simultâneo em Aveiro, Coimbra, Leiria e Viseu. Mas não pensem que é caso único. Veja-se, por exemplo, aqui na nossa região, como alguns democratas encapotados ficaram desinibidos. Dia sim, dia sim, lá vai mais um artigo de opinião com a assinatura dos velhos amigos da contra-revolução. Vale tudo: mentiras e calúnias a propósito do PREC, falsificações históricas sobre o PCP e o seu papel na luta pela liberdade, chantagem psicológica através da “fuga de investimentos do país”, da “bolsa em queda” ou da “agitação dos mercados”.

Genial! Que melhor maneira de condicionar a opinião pública do que instalar a confusão e o medo?
Aí estão eles, de garras afiadas, prontos a acusar de “ditadores” ou “golpistas” aqueles que, respeitando os resultados eleitorais e de acordo com o que consagra a Constituição da República Portuguesa, se disponibilizam para encontrar uma solução governativa que rompa com o ciclo de empobrecimento perpetuado por Passos Coelho e Paulo Portas.

Como se de donos na verdade se tratasse, organizam-se nos canais informativos, escolhem a dedo os comentadores de serviço, encomendam novas sondagens que provam por A+B que o povo, se soubesse que havia a possibilidade de os comunistas determinarem a política governativa, teria confiado a maioria absoluta à coligação PSD/CDS. Como podem ver, não só há os que sabem interpretar o significado das opções de voto dos eleitores (do tipo: “quem votou no PS, não votou pela saída da NATO!”), como também há os que conseguem dizer qual teria sido o comportamento dos eleitores, caso o cenário de um eventual governo do PS apoiado pela esquerda parlamentar tivesse sido posto antes das eleições.

Podem fazer as analogias mais parvas com os campeonatos de futebol. Podem tentar fazer crer que as eleições legislativas são uma corrida e que quem chega primeiro ganha. Podem dar as voltas que quiserem. Uma coisa vos garanto: o momento político actual está a clarificar muita coisa, nomeadamente quem está em cada lado da barricada e o que cada um desses lados defende para Portugal.

Não serão os bafientos saudosistas do velho regime, mergulhados de novo no baú da argumentação reacionária, que farão recuar a força da liberdade e a esperança de que é possível devolver a dignidade ao povo português.

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