Correio do Minho

Braga, terça-feira

Acreditar

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Voz às Escolas

2015-05-21 às 06h00

José Augusto

Aproximando-se o final de mais um ano letivo, chegam os exames e as avaliações finais. Exames cada vez mais precoces e avaliações finais cada vez mais centradas nos resultados quantitativos. Exames e resultados que ratificam os sucessos de muitos e legitimam os insucessos de demasiados alunos. Os efeitos dos insucessos escolares são, em regra, devastadores e, principalmente, individualmente devastadores da confiança em si próprio. A consequência mais comum do insucesso escolar é aumentar a probabilidade de novos insucessos.
Entre os fatores que mais contribuem para o sucesso escolar, e para o sucesso pessoal em geral, está a confiança. Os melhores exemplos de superação individual que tenho conhecido numa vida dedicada à educação escolar são de alunos que nunca se resignaram à mediania. São inúmeros exemplos de jovens que, mais do que competir com os outros, mantiveram sempre uma atitude de procura da superação de si próprios. São também de jovens que tomaram nas suas mãos o trabalho de ultrapassar condições familiares de maior dificuldade, seguindo os incentivos e os exemplos de sacrifício dos seus pais, em prol de um futuro melhor.
Ser melhor em cada dia que passa. Reconhecer e aceitar os insucessos, mas não se resignar a eles. Recusar os convites à facilidade ou à satisfação com os mínimos. Lutar para contrariar as tendências de reprodução da condição social de nascimento. Esses são desafios que se colocam à maior parte das pessoas. E, nessa matéria, para os vencer, a educação escolar continua a ser o principal motor do ascensor social cada vez mais fragilizado. Nesse processo, não se trata de ganhar aos outros, trata-se de desafiar-se e vencer. Na determinação do nosso destino, nem tudo depende de nós, aliás, muito depende de outros. Porém, cada um de nós tem a obrigação de agarrar todas as oportunidades que tenha para garantir um futuro melhor.
À luz destes pontos de vista os insucessos escolares ganham contornos menos discutidos. Entre os efeitos pessoais mais demolidores das reprovações está a destruição da autoconfiança e a conformação com o insucesso. Percebe-se também o efeito cumulativo das mensagens de incapacidade pessoal. Isto é, quanto mais precoce é a reprovação, maior tendência terá a ocorrer novamente em anos seguintes e, com a sua repetição, aumenta exponencialmente a desistência pessoal da perseguição do sucesso escolar e a procura de sucesso noutras dimensões da vida, a maioria das quais menos positivas.
Fica também mais clara a necessidade de mudar o discurso sobre os resultados escolares. Quanto mais acentuado for o discurso da competição com os outros, da procura do melhor e do pior aluno, das melhores e das piores escolas, mais difícil será passar a mensagem de que todos podem vencer, de que todos podem melhorar, desde logo em relação a si mesmos. Os discursos dominantes sobre os resultados escolares são discursos sentenciadores de destinos de insucesso. São discursos que promovem a aceitação individual (e coletiva) desse destino como incontornável fatalidade ou fado de alguns. São discursos que educam para a conformação passiva com esse destino. Sob a capa da exigência e da valorização do mérito, são, paradoxalmente, discursos que convivem bem com grandes volumes de insucesso. Exigente é conseguir que todos tenham sucesso! Valorizar o mérito é recusar o insucesso como fatalidade!
Importa também perceber os problemas que derivam da nossa incapacidade coletiva de promover uma atitude positiva para com os insucessos. A abordagem assertiva do insucesso é crucial para promover o sucesso, mas não passa pela complacência, passa pela compreensão. Sempre que há um falhanço, importa ensinar a procurar as causas, a levantar a cabeça e seguir em frente, a reforçar a atitude e a estimular o trabalho para evitar o insucesso na oportunidade seguinte. Ora, entre nós, um insucesso é frequentemente um estigma, uma marca do destino que determina irremediavelmente o futuro de cada um. Um insucesso escolar só poderá ser uma oportunidade de aprendizagem e crescimento individual quando todos os que estão à volta forem capazes de continuar a acreditar naquela pessoa, de ter sobre ela expectativas positivas e de a incentivar a persistir em ser melhor. Isto, é o que mais determina que ela continue a acreditar nela própria e procurar melhorar.
Acreditar em nós é sempre o primeiro passo. Sem autoconfiança, raramente estamos dispostos ou disponíveis para dar os passos seguintes. Todas as grandes caminhadas se iniciam com um pequeno passo!

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