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Acertar ao lado

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Acertar ao lado

Escreve quem sabe

2022-05-16 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

A «Editora Autrement» decidiu republicar uma obra de Konrad, e bem. Mudaram-lhe o título, e mal. A plástica virá ao gosto da Era, que palavras há que devemos banir, isto segundo eles e outros de tribo igual. Assim, estimado leitor, muito se lhe aconselha que trave a língua, que reflicta um pouco antes de se embalar a pedir ao balcão ou a encomendar em linha «O Negro do Narcisse», doravante «Les Enfants de la Mer». E livre-se, sobretudo, de aconselhar a obra pelo título genuíno a um puritano dos nossos dias.
Não é só cá que nos serviços públicos se nota uma carência de pessoal médico: as carreiras serão menos atractivas do que já o foram, a função funcionalizou-se, parametrizou-se em minutos por utente, rácio em que se perde o clínico e não se ganha o paciente. E porque não fazer depender uma parcela da remuneração das IVG’s?

Peregrinando a Braga, António Costa terá visto a luz: «Costa, Costa, porque me persegues?» e ei-lo que reconhece que nem todas as medidas paridas pelo contra-fascínio do covid 19 foram coerentes. Quanto terá durado a incoerência? Até onde ela foi? A todos terá ela domado? Um, ao menos um dos peritos, dos conselheiros, dos pensadores ou políticos envolvidos, terá tentado introduzir ordem no absurdo? Dêem-nos esse herói!
Ah! Costa, não te ter chegado a afoiteza para trazer a lábios outra palavra! Incoerência, sim, e prepotências várias, que a incoerência é menina de boas escolas e voluntariosas companhias. Fomos ao encontro do covid por excesso, como avaramente e por defeito enfrentamos um rosário de outros flagelos. Similarmente, esperamos penalizar o corpo médico por um aborto não contornado, quanto como Governo congelamos orçamentos, quais os da Saúde, Educação, Acção Social, Habitação, em suma, quanto o que em consciência abdicamos de fazer em prol do que cria condições de conforto psicológico.

Vivemos sob unanimidades, ontem a do covid, hoje a da Ucrânia. Ontem torturavam-nos com um vírus omnipotente, hoje torturam-nos com a estupidez invasiva que lentamente apuramos em viveiro. Em documentário recente da BBC, «Putin, the new tsar», diz-nos Jack Straw, político perene, que o Ocidente encurralou a Rússia para lá do aceitável, especulando, a par, sobre o que fariam os ingleses se, por semelhança, se atacassem à Escócia ou a Gales.
Tarde vem Straw, como a seu modo tarde virá António Costa. A assumpção de erro antigo raramente previne o erro que a mesma figura comete a propósito de próximo ou distinto assunto. Não é o conhecimento profundo de uma matéria que impede o decisor de enveredar por fraco caminho. Não é o conhecimento, é a previdência, a razoabilidade, o sentido do equilíbrio. Não é o conhecimento, até porque diletantes e amadores são por regra aqueles que elegemos e consentimos em Governo. Quanto aos políticos britânicos, bom está de ver que os pecados de hoje crescem em mil-folhas com os da década passada, e anteriores até ao século XIX.

Dentro de portas, registo o rebate de consciência de um painel mediático de fautores de opinião. Se bem entendi, muito arranja a Boris Johnson e a Biden que as hostilidades se mantenham. Continuamos a ir para a guerra porque o rei diz, a passar privações, porque ao aparato da Corte faça falta novo palácio. Embarcamos em más decisões por razões que me escapam. A reclusão pacata em Portugal, preferiu Rendeiro morte ignominiosa na Africa do Sul. No que a coisa humana respeita, nunca é definitivamente tarde para mudar planta para boa terra, assim queiramos pugnar pela melhor e mais equilibrada decisão. A atirar ao lado é que nunca acertamos.

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