Correio do Minho

Braga, terça-feira

Abrir um novo livro, iniciar um novo ano

Obrigado, Pedro Passos Coelho

Voz às Bibliotecas

2017-12-28 às 06h00

Aida Alves

Com certeza já sentiu a vontade de ler um novo livro, aquele de quem todos falam e que faz crescer em si uma vontade de o procurar, comprar ou de o requisitar numa biblioteca para se apropriar do seu conteúdo. Há uma efetiva experiência de deleite e quase degustação em ter um novo livro entre as mãos, sobretudo se desejado há algum tempo. A expectativa cria uma ansiedade saudável de conhecer a história, a escrita de um determinado autor, enfim de conhecer a narrativa que todos à sua volta falavam.

Já se questionou o que é para si um bom livro para ler? Será que é o que é referenciado por terceiros, ou aquele que vê em escaparates de livrarias e apela pelo título, pela capa; ou pelo autor, ou sinopse? Por vezes, lemos a contracapa no anseio de obter a linha mestra semântica que nos diminua ou mitigue alguns níveis de ansiedade. Apreciamos a capa e, o embrulho ou as caixas, ou sacos de tule que os revestem ou toca-nos a frase de slogan publicitário? Por vezes, conquista-nos o número elevado de edições indicado na capa, que nos indica amiúde apenas o número de reimpressões e constitui apenas uma forma de publicidade.

Já nem questiono o tipo de suporte e meio da leitura. Pois a opção de ler em papel ou em qualquer suporte digital é um pouco indiferente. São meros meios de suporte e transporte da palavra. A palavra viaja a negro impresso, ou a negro digital. O que importa verdadeiramente é a história, o conteúdo, as experiências que sentimos na viagem pela prosa narrativa, pela novela, ou conto, pelo romance, ou pelos poemas. Interessa-nos sobretudo o poder das palavras e da viagem que empreendemos, em que seguimos o enredo construído pelo autor, que nos transmite emoções, sentimentos, empatia, envolvência, e que nos transporta para contextos ficcionais do ser humano que, por vezes, nos ajudam a afastar do contexto que nos cerca.

Cada um de nós tem uma experiência diferente ao ler o mesmo livro ou e-book. Depende muito da nossa identidade, de quem somos, e de como construímos o nosso caminho como leitores de livros e da realidade que nos cerca.

Ao iniciarmos a leitura de um novo livro, temos, também, necessidade de nos apropriarmos dele enquanto objeto físico, deleitando-nos com pormenores e curiosidades da sua capa, das suas ilustrações, avaliando e sentindo o seu peso e dimensões, e a facilidade com que se deixa ler. Atualmente, o design das capas é feito com muito cuidado pelas editoras. Ao adquirir um livro, está a comprar muito mais que uma história, em jeito de comparação, é como ir ao cinema ao invés de assistir a um filme em casa.

C. S.Lewis no seu livro “A Experiência de Ler” valoriza a leitura e o modo de ler, destacando os motivos da leitura de Literatura, distinguindo vários tipos de leitores, com intenções diferentes, sem hierarquizá-los, tentando demonstrar que a escolha recai por vezes no valor da própria obra.
Já todos nós lemos um livro que nos marcou mais, por um motivo ou outro. Essa experiência nunca mais se perde. Pode esfumar-se na nossa mente, mas perdura, a tremeluzir ao longe, como um farol.

E, no caso mais extremo, ter uma “depressão” pós livro? Depois de ler um livro que o envolveu por completo, pode demorar até encontrar outro que o complete da mesma forma. Isto acontece porque a experiência de leitura pode ser, deveras enriquecedora. Há quase que uma apropriação plena do que foi a viagem do autor. Compreendemos o seu caminho e compreendemos o seu pensamento. Nestes casos, após a leitura do livro, opta-se por um período de afastamento da leitura, atrasando o início de nova leitura. Ou então, opta-se por procurar outro livro do mesmo autor, ou com o mesmo tipo de enredo e tema. É como se procurássemos um prolongamento da leitura que nos marcou.

Ao findar mais um ano civil, no qual passamos por experiências boas e menos boas, reposicionamo-nos mais uma vez no caminho da vida. Fazemos balanços e desafiamo-nos a novos percursos. Não devemos esquecer que poderemos continuar a narrativa dos livros que lemos, dos percursos que fizemos, das experiências que sentimos.
Bom Ano aos leitores do Correio do Minho, e façam boas opções de leitura!

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