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Braga, segunda-feira

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A vida para além do Covid

Criado... não aceita mau destino

A vida para além do Covid

Ideias

2020-05-12 às 06h00

João Marques João Marques

Estamos finalmente fora do temível período de anormalidade constitucional em que vigorou o estado de emergência. Regressamos, por isso, à normalidade possível e progressiva, cientes de que o pior pode estar para vir.
Agora que o (primeiro) pico de casos Covid-19 parece estar sob controlo, fazem-se as contas à vida para saber o que sobrou. O que resta de empresas e emprego, o que resta do Estado, central e local, e o que resta dos planos e projetos de vida que tínhamos delineado até março.

Precisamos, literalmente como de pão para a boca, de boas novas e de redobrada ação por parte de quem ainda possa manter, ou até aumentar, a disponibilidade orçamental para investir no curto prazo.
Foi, por essa razão, reconfortante ouvir de duas das mais importantes entidades do concelho o compromisso com significativos volumes de investimento a concretizar praticamente no imediato.
A Câmara Municipal, que tem sido excecional na gestão deste momento de profunda crise, não se limitou a garantir a concretização de projetos já aprovados, como avançou ainda com o anúncio de 25 milhões de euros suplementares em investimentos de diversa ordem em equipamentos escolares, valências culturais e vias rodoviárias, valor a injetar na economia nos próximos 365 dias. Conhecendo-se a rigidez orçamental que foi legada ao atual executivo por apostas erradas do passado socialista, podemos mesmo considerar este incentivo financeiro um mini-plano Marshall que, à escala do concelho, será decisivo para auxiliar o tecido económico a recuperar da pancada sofrida nos últimos tempos.

Julgo ser escusado sinalizarmos debates e discussões sobre ideologias pró e contra a importância do Estado na economia. É um contrassenso, no quadro político atual e após décadas de evolução da sociedade, tentar singularizar o liberalismo como aquele que “faz o mal e a caramunha” ou evocar o coletivismo socialista enquanto panaceia para todos os problemas do mundo moderno.
O equilíbrio entre os papeis do Estado e da sociedade, entre o público e o privado, entre a ação de entidades insoventes e solventes não pode ser o palco de tais simplificações. O capitalismo, onde saudavelmente continuam a viver e sobreviver as várias teorias sobre que assentam as diferentes ideologias que orientam os partidos que nos representam, não sobrevive sem a visível mão do Estado, como o Estado nunca terá viabilidade sem as receitas provenientes da invisível mão que a atividade económica privada potencia.

E essa lição deve ser transposta para o que aprendemos com esta crise. Se não fossem muitos dos privados a levar os bens essenciais até aos locais onde eles são comercializados, como aguentaria o Estado o esforço incomensurável de se lhes substituir? Como igualmente verdadeira é a asserção segundo a qual sem o Estado dificilmente conseguiríamos garantir direitos básicos e a disponibilidade orçamental para ajudar quem mais precisa.
Justamente porque é desse tango, dançado a dois, que resulta a prosperidade das sociedades contemporâneas, foi com satisfação que assisti à notícia de que o SC Braga se prepara para avançar com a segunda fase da Cidade Desportiva. Mais de 25 milhões de euros injetados num projeto que tinha sido pensado, preparado e consolidado antes desta crise.
Vai mesmo avançar a construção de novas valências, destacando-se o pavilhão multiusos e a área do futebol profissional. É um complexo imenso que projetará o clube para outra dimensão e que acontece também graças ao comprometimento do município com uma visão que se espera granjear ganhos coletivos para todo o concelho no médio-longo prazo.

Parece propositado, tal é a parificação de valores investidos por público e privado, mas trata-se de uma feliz coincidência que espelha o ponto que me parece relevante sublinhar.
Só com estes dois mundos a fazer o que for possível é que estaremos em condições de concretizar a rápida recuperação que se vai projetando para os anos vindouros. E, sobretudo, só assim é que se poderá salvaguardar o máximo de postos de trabalho e rendimento das empresas e famílias, acautelando os efeitos nefastos que violentas crises sociais seguramente trariam à já difícil situação económica do país.

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