Correio do Minho

Braga,

A vida não é um cliché

Mercado de Trabalho em Portugal, uma visão crítica

Escreve quem sabe

2018-10-21 às 06h00

Joana Silva

Somos pré-formatados para o alcance do sucesso através de conquistas pessoais. “Tens de ser o/a melhor”; “Deverias ter feito assim…”; “Foca-te!”. Na verdade ninguém pergunta, se és feliz. Não é uma pergunta retórica, não é um cliché, não! É uma pergunta profunda que para se chegar ao seu cerne, “esburaca-se” traumas e “desbrava-se” medos. É a pergunta tabu, a qual ninguém quer responder. Tomamos como felicidade aquele/a que atingiu o êxito. O êxito que nem sempre é sinónimo de felicidade. Porque a verdade é uma, vê-mos pessoas bem-sucedidas e profundamente infelizes. Até mesmo esta definição de bem-sucedida é subjetiva, porque ninguém mas mesmo ninguém é bem-sucedido em todas as esferas da sua vida. Todavia, deduzimos que sim, e mesmo sem certezas absolutas, batemos tantas vezes com o pé no chão a afincadamente que, “Sim! Está feliz!”.

Os rostos e até mesmo os olhos enganam, o que parece pode não ser. Aliás na maior parte das vezes não o é. Vê-mos nos outros o que gostaríamos de ter e como tal afirmamos de imediato que são felizes, só porque tem o que nós não temos. Mas o que essa pessoa tem e que seria importante para nós pode não ser a felicidade dela. Por isso convém sempre lembrar, que aquilo que desejámos nem sempre pode ser o melhor para nós. À medida que crescemos aprendemos a arte de disfarçar. Agimos como se fossemos de ferro, mas na verdade emocionalmente somos frágeis como um copo de cristal. Revoltamo-nos com as coisas injustas da vida, como se a nós nos afetasse tudo e aos outros nada. Isso não é assim tão linear, nós nem sempre vê-mos, mas todos sem exceção “temos uma cruz”.

Procurámos respostas no desejo que o destino a “faça justiça”. Nessa espera sofremos. Muitas vezes não é uma questão de vingança, ou “de dar o troco”, é simplesmente fazer justiça. Se está a passar por uma fase menos positiva da sua vida, não se acomode a memórias e a lembranças de pura infelicidade. Conhece a expressão, “Há males que vem por bem?”. Significa que é uma libertação livrarmo-nos de pessoas ou situações que inicialmente não desejamos, mesmo que nos façam mal. Desista sim de tudo o que lhe faz mal, mas nunca desista de si. Não se compare com outros/as, lembre-se também das coisas boas que alcançou. Permita-se também perceber que nem sempre poderá estar bem. Se está a passar por uma fase menos positiva e pensa em desistir, reflita.

Pense em primeiro lugar no problema que “tem em mãos”, no que lhe faz infeliz, e pondere se está a agir da forma mais acertada face ao seu coração. Aqui importa pensar mais no que sente de terceiros/as vão pensar. Questione-se se tem lutado com todas as suas forças perante esse problema e tem duas opções. Se efetivamente sim e nada de resultados é um claro sinal, que o que deseja não é o melhor para si. Se a resposta do seu coração é não, chegou a hora de “arregaçar as mangas”, e mesmo que no final seja um não, pelo menos tentou, “foi atrás”.

Procure sorrisos, gargalhadas, de pessoas que o façam sentir bem, e não hesite em procurar apoio quando está mais triste ou em baixo. Contrarie esse pensamento “Eu não tenho ninguém para me ouvir”. Será mesmo verdade? Todos nós temos alguém que nos ouça. Podem não ter sempre a disponibilidade que desejamos que tenham mas há sempre alguém que nunca se esquece, nem que seja uma conversa de cinco minutos.
Tudo a seu tempo e a tudo o seu tempo vem. A vida não conspira a favor da infelicidade de ninguém.

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