Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A velha escola

Parabéns ao IPCA

Voz às Escolas

2014-05-26 às 06h00

Maria da Graça Moura

O lugar físico, real, da velhinha André Soares deu lugar a uma escola nova, moderna, di-gna do nome que ostenta. Uma escola virada para o futuro, carregada de projetos e com um plano estratégico bem definido. Esta nova escola representa a fusão de espaços, de tempos, de linguagens, de modos de vida.

A velhinha escola desapareceu! Dela, ficaram as lembranças do que fez a história deste património ativo e dinâmico, para sempre registado nas nossas memórias. Desapareceu a escola, mas não o amor maior que ela representa para muitas e muitas pessoas que viveram dentro dela experiências educativas e comemorações evocativas de marcantes momentos de felicidade!
Professores, funcionários, alunos e pais, que fizeram parte do património sociocultural da velha André Soares, merecem ser homenageados e reconhecidos publicamente por terem doado parte da sua história pessoal, social e familiar, à construção da história desta escola.

Trabalhar na velha André Soares foi um desafio diário para professores, funcionários e alunos sem escolhas nem alternativas, suportando com paciência e resignação todas as dificuldades impostas pelas más condições físicas dos espaços. Contudo, cada parede, cada taco do chão, cada muro esquinado, cada arbusto do jardim, tinha uma história de vida!

Apesar de tudo, todos os dias se abriram portas às utopias, aos sonhos, aos desafios, às conquistas. Nunca a escola deixou de participar em projetos científicos, culturais, literários, sociais ou solidários, pelo facto de não ter boas condições físicas para os implementar. Nunca os alunos deixaram de realizar eventos, atividades, jogos ou programas por falta de condições logísticas.

Pelo contrário, a falta de condições ideais, motivava alunos e professores a recorrer à imaginação e criatividade para solucionar os problemas. Muitas propostas desafiadoras encontraram respostas construídas na base da experiência dos professores que, com o seu saber acumulado de muitos anos a viver os mesmos problemas, resolviam as questões com mais sabedoria.

Há fotos, álbuns, livros, atas, jornais carregados de significado, de narrativas que contam a história patrimonial e cultural desta escola, imortalizada nestes suportes que ficam para memória futura. Há canções, hinos, revistas, figurinos, bonecos, adornos que ajudam a contar histórias vividas, construídas com muita alma, guardadas no coração de quem as vivenciou.

Há recordações de festas, eventos, espetáculos, participações e intervenções na escola, na rua, nas praças, nos teatros e nos auditórios, cuja recordação traz à flor da pele as sensações e as emoções dos resultados conseguidos.

Muitos são os alunos que hoje, ao passar pela rua André Soares, recordam com saudade a velhinha escola. Saudade dos amigos que fizeram, das brincadeiras rebeldes, por vezes estúpidas ou violentas, mas que os ajudaram a crescer e a reforçar o sentimento de pertença e as relações grupais. Muitos carregam consigo um pedacinho de cada professor que transformam em personagens de belas histórias recordadas.

A velhinha escola deixa saudades! Saudades que nos fazem olhar para trás, vendo para a frente. O passado não é só memória, mas é também o resultado e processo do que nos constitui hoje e nos permite projetar o amanhã. Escola é vida, conhecimento, marcas e lembranças.

A velhinha escola não está lá, mas não morreu. No seu lugar está um belo espaço que dará continuidade a grandes causas e projetos. Que formará, com condições dignas, os jovens responsáveis pelo nosso futuro!

O que vivemos na antiga escola está noutro sítio. Muito fácil de lá chegar. É só fechar os olhos. E esperar que cresça um sorriso.
É aí que está. No sítio onde nos cresce um sorriso!

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