Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A Uber, a Cabify e os táxis - uma revolução no transporte rodoviário de passageiros

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Escreve quem sabe

2016-10-01 às 06h00

Fernando Viana

Vivemos num mundo alucinante e frenético em termos de evolução social e tecnológica. Como não podia deixar de ser, o transporte de passageiros não tem ficado imune. Do low-cost aéreo ao transporte rodoviário, todos os dias surgem novidades, em que, em última análise, o consumidor tem saído enormemmente beneficiado.
Em 2009, na cidade de S. Francisco (EUA) é criada a Uber. Numa escassa meia dúzia de anos, esta empresa passou a estar avaliada em cerca de 50 biliões de dólares, está cotada em bolsa, conta com parceiros da dimensão da Google e da Goldman Sachs e está presente nos quatro cantos do Mundo. Trata-se de disponibilizar ao consumidor um serviço de transporte rodoviário em automóvel, operado através de uma plataforma tecnológica (E-Hailing). O consumidor instala a aplicação no seu smartphone, solicita o transporte, indica o destino e o pagamento é efetuado de imediato através dos dados do seu cartão de crédito. A plataforma chama a viatura disponível mais perto de consumidor, a qual é conduzida pelo seu proprietário (que se colocou previamente ao serviço da Uber) e que conduz o consumidor ao destino. O serviço acaba por ser muito mais barato do que se prestado por um táxi convencional.
É uma história de sucesso. Entretanto, surgiram outras empresas que utilizam o mesmo conceito como seja a espanhola Cabify, que também já opera no nosso país.
Do ponto de vista estrito do consumidor, este sai a ganhar. Conta com mais um serviço e muitas vezes mais bem prestado e mais barato do que o tradicional táxi.
Contudo, os taxistas e as empresas que operam táxis não andam satisfeitas. Estão a perder quota de mercado e consideram que existe aqui uma concorrência desleal por parte destes novos operadores que aproveitam a ausência de um quadro regulatório, já que operam ao abrigo de um vazio legal. De facto, muitos vêm na Uber um serviço de “boleia” remunerada. Quantos de nós não combinaram já em transportar colegas, amigos, familiares no seu carro, fazendo uma “vaquinha” para as despesas?
Os taxistas e as empresas de táxis estão longe de concordar com este serviço operado pela Uber. Mas não são apenas estes a sentir-se prejudicados. As entidades da Administração Central e as próprias autarquias, que passam alvarás, licenciam táxis, cobram taxas e impostos também têm sentido bastante incómodo com esta situação. De facto, o tradicional táxi está inserido num emanharado de leis que regulamentam a atividade desde há muitos anos. A transformação de uma viatura em táxi custa dinheiro, as empresas pagam salários aos profissionais que os conduzem e impostos e taxas ao Estado. Tudo isto tornou o táxi um serviço que não é barato. Comparado com o prestado pela Uber é caro, muito caro. Compreendemos os argumentos dos taxistas: encontram-se licenciados; operam num quadro de legalidade; os motoristas são certificados; pagam taxas e impostos.
Claro está que sendo o serviço criado pela Uber vantajoso para o consumidor, não vale a pena ter ilusões. Ele veio para ficar e vai certamente ganhar esta guerra.
Porém, terá que ser inserido num quadro de legalidade e de licenciamento administrativo. Porventura, da mesma forma que as companhias aéreas tradicionais se adaptaram ao low-cost, as empresas de táxi deverão ponderar a oferta de novos serviços aos consumidores, mais económicos. Uma coisa é certa: muitas profissões desapareceram no passado devido ao avanço tecnológico. Os táxis e os taxistas têm de fazer algo mais do que limitarem-se a dizer não aos novos tempos.

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