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A Tragicomédia de Tancos

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Escreve quem sabe

2018-10-26 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

A última semana foi rica em fatos políticos. Ele foi a apresentação do orçamento; foi a remodelação do governo; foram as declarações de um juiz que se assume como dono da Justiça e desconfia da forma porque não continua à frente do processo ‘marquês’ Mas eu escolho o caso de Tancos para comentar. É difícil porque ninguém sabe exatamente o que se passou em Tancos. Ou melhor, sabe-se algumas coisas, mas não outras.
Sabe-se que desapareceram, ou foram desaparecendo, armas e munições da base de Tancos. Sabe-se que as armas apareceram (não exatamente todas as que constam do relatório), mas apareceram outras; em resumo, havia a mais e a menos. Sabe-se que esse aparecimento foi encenado pela Polícia Judiciária Militar em conluio com o ladrão que exigiu anonimato, que deixou as armas na Chamusca, na quinta da avozinha.

E, posto isto, nada mais se sabe . Não se sabe se as armas foram roubadas num único assalto, ou em vários, se foram desviadas, ou se foram transacionadas. Por outras palavras, não se sabe quem poderia ter ganho com o roubo. E se o roubo não tinha por objetivo a declaração duma guerra, a que se destinavam? Não se sabe também de quem partiu a iniciativa da encenação da entrega, como não se sabe se as chefias militares deram o seu agreement, envergonhadas com o que se estava a passar na mais importante base militar do país. Como não se sabe se o poder político soube desta ópera bufa e chutou para canto convencido que a carruagem passava e tudo como dantes no quartel general em Abrantes.

O assunto é bem mais sério do que se possa pensar. Como se pode confiar numa instituição responsável pela defesa do país quando não é capaz de guardar as armas? Como se pode confiar numa polícia de investigação que em vez de investigar, encobre o(s) réu(s), na tentativa de desresponsabilizar a tropa? Será que não se aplica o Código Penal no exército português?
Estou petrificado porque, embora pareça uma brincadeira, na realidade não é. Por favor, não façam dos portugueses parvos. Alguém acredita que apenas um ladrão possa carregar um camião em ma noite de Verão sem conivência de alguém de dentro? Não será que funcionava como armazém ao qual se recorria quando havia procura?

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