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A tragédia no rio Minho, em Monção

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2014-02-03 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

A instabilidade climática que tem marcado o nosso país, nas últimas semanas, e que tem provocado cheias e forte agitação marítima, incute-nos a uma análise ao relacionamento dos portugueses com os nossos rios e o nosso mar.
O perigo que advém da agitação dos rios e do mar, associado ao descuido de muitas pessoas, tem provocado um elevado número de vítimas que, segundo o jornal “Público, de 22 de Dezembro de 2013, provocou nos últimos sete anos a morte a cerca de 40 pessoas, só no mar.

A maior parte dessas pessoas foram apanhadas, de surpresa, por ondas fortes. Só no ano de 2013 morreram 12 pessoas, sendo seis delas os célebres estudantes da Universidade Lusófona.
É neste contexto que quero hoje recordar uma das maiores catástrofes que ocorreu no Minho e que provocou mais de duas dezenas de vítimas.
Tudo aconteceu no dia 22 de Junho de 1905, uma quinta-feira, logo após a festa de “Corpus Christi” (1) que se celebra em Monção.

Esta festa, que se realizava sempre a uma quinta-feira (celebra-se 60 dias após a Páscoa), foi instituída pelo Papa Urbano IV em 1264 e tinha na época grande projecção em Monção.
A estas festividades assistiam pessoas vindas de muitas localidades do Minho, nomeadamente de Valença e Melgaço, mas também da própria Galiza, onde a festa era também muito apreciada.

No final dessa cerimónia religiosa, já à noite, as pessoas que vinham da Galiza usaram, como habitual, um barco para atravessar o rio Minho e que os devia transportar para Salvaterra, situada na margem espanhola. Essa embarcação tinha capacidade para 10 a 12 pessoas, mas, com a multidão que se encontrava no local para viajar para Espanha, e atendendo à hora adiantada (noite), o barqueiro facilitou e colocou mais do dobro das pessoas na embarcação.

Já próximo da margem espanhola, o barco roçou numa pedra, provocando um pequeno desequilíbrio nos passageiros que, assustados, começaram a agarrar-se uns aos outros. A agitação provocada foi originada pela agitação das mulheres que se encontravam na embarcação, e que não sabiam nadar, pois começaram a agarrar-se umas às outras e inclusive ao barqueiro, provocando enormes desequilíbrios no barco, que de imediato se virou.

Logo que se soube deste desastre, muitas pessoas foram-se aproximando das duas margens do rio Minho, com a preocupação de tentarem ajudar os náufragos. Mas, devido à escuridão que se verificava na altura, à profundidade do local e à falta de meios de salvamento, pouco mais puderam fazer do que ficar a assistir ao perecimento destas pessoas. Os Bombeiros Voluntários de Monção, munidos de croques, ainda tentaram salvar algumas pessoas, mas pouco lhes adiantou.

No dia seguinte, ao amanhecer, a tragédia ficou mais visível. Nas margens do rio encontravam-se alguns corpos, que foram apanhados pelas redes dos pescadores e dos bombeiros, assistindo-se a momentos de grande alarmismo, vindos de familiares e amigos dos náufragos.
A corrente do rio acabou por espalhar outros corpos pelo sinuoso rio, indo alguns desses corpos parar a Valença.

Os números da tragédia foram arrepiantes para a época e para a localidade: das 24 pessoas que a embarcação levava, morreram 23, incluindo o barqueiro, que era português. Apenas um carabineiro se conseguiu salvar deste naufrágio.
Monção, a terra onde foi iniciada a aliança de amizade entre Portugal e a Inglaterra, assinada na ponte sobre o rio Minho no dia 6 de Novembro de 1386, entre o rei de Portugal e o duque de Lencastre, acabou por assistir, em 1905, a uma das maiores catástrofes que ocorreu no Alto Minho.

1) A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV, através da bula ‘Transiturus de hoc mundo’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de ‘Pentecostes’.
Esta festa de ‘Corpus Christi’ foi decretada em 1269.

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