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A sério

Ideias

2019-10-04 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Ironizo com frequência, mas a prática política é mesmo para levar a sério. Há lá assunto que suplante a premência do que respeita ao equilíbrio de um Estado, à condução de um Povo, à definição de aliados ou antagonistas! Enquanto cidadãos, deveríamos ser capazes de formular opinião cristalina sobre a salubridade do regime e seus agentes, sobre os impostos e obras de vulto, sobre a educação e destino comum de uma sociedade, questões a que amiúde torcemos o nariz, e que tendemos a ver como da ordem do outro, alheia entidade, grosso modo anónima e abominável.
No que respeita ao acto eleitoral que faceamos, poderia permitir-me um acréscimo de tiradas jocosas sobre o Costi- nha-saltitão, mais tuno Efe-Erre-A que primeiro-ministro e candidato à renovação de funções, sobre o Costinha-dores-de-costinhas, quiçá por mais não poder alombar com o sarrabulho de Tancos, sobre o Costinha-virginal, chocado com as baixarias de Rios, Cristas e Catarinas, como se o PS, por grosso, fosse o último grito da moda em etiqueta de salão.
Aqui chegados, uma questão retórica se impõe: ao Costa, ao PS, não sobressaem qualidades, tantas ou mais que pecadilhos? Claro, o que é válido para todos, sendo que a contabilidade de méritos e deméritos nunca é objectiva.
Paralelamente, é justo que nos coloquemos outra questão: intrinsecamente, quão mais positivo, meritório e digno de confiança é o partido X, a contraste do partido Y? Se o compromisso primeiro de todos os partidos é com Portugal, se a carga ideológica que os separa não derreia, porque é que uma aliança tácita ou declarada, digamos entre o BE e o PSD, é liminarmente inviável?
Assinalo que não pretendo teorizar sobre a plausibilidade de uma híper-geringonça; sublinho, tão-só, a responsabilidade de partidos, parlamentares, cidadãos, nos bens e nos males que fazemos. Simplificando, diria que aleijamos a Democracia quando não votamos; que a aleijamos, quando damos de ombros a atropelos que os da nossa cor cometem, porque os da cor oposta fazem igual ou pior, como atestamos em autojustificação; que a aleijamos, quando votamos acriticamente, por inércia, contribuindo para a estagnação da nossa força partidária; que a aleijamos, quando votamos no que não acreditamos, por masoquismo, por desprezo.
As últimas eleições parlamentares trouxeram-nos a alegria de uma aliança PS-BE-CDU, com o que Portugal deu a si mesmo uma lição de maturidade. Talvez ainda não tenhamos visto tudo. Muito me espantaria se o PS de hoje conhecesse a desdita da lebre de La Fontaine. Eles acham que não, mas muito jogo se perde ou ganha nos derradeiros minutos.
Quero desfazer a blague da crónica precedente: votar à toa!? Enfim, expressões que inundamos de conteúdo, cada um a seu jeito. Estou em crer, porém, que raramente elegemos de posse de elementos bastantes e com base em informação judiciosa. Talvez nos atiremos para a frente, esperando que tudo se componha, saída que não me basta. Para o caso, eu teria apreciado um debate entre o Centeno e o candidato a Centeno. Digamos que o Centeno não quis que eu ficasse elucidado, agravo que não lhe perdoo.
Quem ganharia? O que está, ou o que desafia? Daria empate? Pendesse para Centeno-o-velho e, os que o louvam, endeusá-lo-iam – se é que ainda dá para mais. Pendesse para Centeno-o-novo, ou para nulo, e todos ficaríamos sossegados – Portugal estaria sempre bem entregue.
Que baixará impostos e taxas à tripa forra, diz o aspirante. Vacuidades, respondem os outros. Vivemos de emendas, de remendos, de demagogias. A mim, cansa-me.

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