Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A sala de estar dos bracarenses

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2018-05-08 às 06h00

Jorge Cruz

Um sonho que sonhes sozinho é apenas um sonho. Um sonho que sonhes
em conjunto com outros é realidade.
(John Lennon)

Tive o ensejo, no final do pretérito mês de Abril, de efectuar uma breve visita a parte das instalações do agora denominado Fórum Braga, designação escolhida para rebaptizar o velhinho e agora renovado Parque de Exposições.
Devo admitir que apreciei aquilo que me foi dado observar, desde a renovação da grande nave até à modernização do grande auditório, passando ainda pelas novas ofertas um auditório para 250 pessoas e uma galeria para arte contemporânea. Claro que a requalificação da zona envolvente, na qual adquire particular destaque a criação da ampla praça que agora embeleza a entrada principal das instalações, também não pode ser omitida.
Mais do que a requalificação de uma infraestrutura edificada no último quarto do século passado, tratou-se como muito bem salientou na oportunidade o presidente da Câmara - de operar uma verdadeira revolução para dotar a cidade de condições competitivas que lhe permitam captar um conjunto de grandes eventos, os quais, com as condições então disponíveis, nunca poderiam ser atraídos.
Quem, como eu próprio, sentiu as limitações das antigas instalações do Parque de Exposições, também percebeu os condicionalismos que entravavam não apenas o sonho de agarrar eventos de grande projecção, mas que, inclusivamente, colocavam em risco o futuro de outros já implantados no terreno. Ainda bem que Ricardo Rio comunga da visão de futuro que o seu antecessor no cargo teve, há algumas décadas, quando se abalançou a adquirir a Quinta do Sardoal para aí edificar o recinto municipal de exposições.

O presidente da Câmara soube, assim, interpretar os sinais, uns que ele próprio constatou in loco ao longo dos anos, outros que lhe foram chegando por diversas vias, acabando por avançar para uma solução ousada mas que, de facto, vai ao encontro das necessidades da actual ambição bracarense.
Nós vínhamos sofrendo essa ansiedade, de termos demasiadas iniciativas, demasiados projetos que gostávamos de ver concretizados na nossa cidade, e que não tínhamos condições para acolher por falta de oferta, explicou o autarca, reforçando a ideia com a convicção de que havia em Braga um sentimento de urgência que não podia ser mais adiado.

A análise é certeira e de enorme acuidade, tanto mais que o turismo constitui, de momento, uma aposta estratégica do município. Convirá lembrar, contudo, que a partir de agora as expectativas se situam num patamar bastante mais elevado, deixando muito pouca margem para desculpas, uma vez que existem condições de excelência para a realização de grandes eventos, quer se trate de concertos, como aquele que assinalará a inauguração oficial do Fórum Braga, quer de feiras da dimensão da Agro, que acontece esta semana, quer de congressos internacionais ou competições desportivas.
Mas regressando à requalificação em si, e tendo em conta o que me foi dado ver, não quero deixar de enaltecer a qualidade estética do projecto arquitectónico, arrojado, sem dúvida, mas aparentemente funcional. Desse ponto de vista, subscrevo a opinião do edil bracarense quando ele se mostra convicto de que é, obviamente, um dos espaços mais bem qualificados e estruturados.

Passando por cima da bacoquice saloia e paroquial das desnecessárias comparações com outras infraestruturas do país (o maior auditório, a segunda maior sala, etc.), creio ser de relevar, como o fez Carlos Oliveira, que o recinto agora requalificado vai marcar um novo ciclo da vida da cidade, porque será um indutor de novos públicos e de uma nova dinâmica.
Desse ponto de vista, há expectativas de que este equipamento funcionará como uma nova centralidade da cidade, até porque será o local onde tudo vai acontecer e que faz acontecer. Para suportar este raciocínio, Ricardo Rio conclui, peremptoriamente, que esta não é a nossa sala de visitas, mas a sala de estar dos bracarenses, porque se trata de um espaço para ser fruído todos os dias do ano com múltiplas atividades, de natureza desportiva, cultural e lúdica, e não apenas um espaço de visitas. Teremos, naturalmente, de esperar para ver se há de facto capacidade e engenho para levar à prática tal desiderato. Mas, já agora, poderiam começar por interiorizar de uma vez por todas que o executivo municipal é composto por onze e não por sete eleitos e que todos eles, com ou sem pelouro atribuído, têm os mesmos direitos entre eles o de serem convidados para os principais actos, o que ainda agora não aconteceu.

Não quero deixar passar esta oportunidade para fazer uma breve mas justíssima referência ao GNRation, já que esta infraestrutura também esteve de portas abertas no mesmo dia do Fórum Braga, neste caso para comemorar o seu quinto aniversário.
Este edifício, quartel da GNR antes de ter sido alvo de uma notável e aplaudida intervenção do arquitecto bracarense Carvalho Araújo que o transfigurou, no âmbito da Braga 2012 - Capital Europeia da Juventude, é hoje um espaço de difusão artística de grande relevo na região norte, designadamente ao nível da programação nas artes digitais e na música contemporânea alternativa.
Aliás, do seu extenso portfólio, destaca-se, para além da programação constante onde ressalta o digital e as media arts, um modelar programa de serviço educativo e a Galeria INL, esta fruto de uma parceria com o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia que visa proporcionar a aproximação da comunidade à nanotecnologia e à arte, sendo os trabalhos artísticos expostos o resultado da interligação entre artistas e investigadores. Em conclusão, os responsáveis e, em especial, o programador têm fartos motivos de orgulho pelo trabalho desenvolvido, o qual, além do mais, acabou por confirmar o acerto da decisão do último executivo socialista de criar esta estrutura municipal.

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