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A árvore dos desejos – porque o Verão vem a caminho!

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A árvore dos desejos – porque o Verão vem a caminho!

Escreve quem sabe

2020-05-19 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Aquela árvore! Uma árvore recheada de tantas, tantas folhas pequeninas, verdes, rijas, prontas para crescer e abraçar o mundo. Refletem os primeiros raios da manhã, num eterno agradecimento ao sol, fonte de vida, para ela, é bom de ver! Em cada folha bafejei um desejo, um pequeno desejo de como tornar o meu mundo um mundo mais bonito. Não de árvores, florestas, rios e lagos, mar… tanto mar, nem de animais, mansos e bravos, lindos e feios, pequenos e grandes, rastejantes e voadores, submersos ou hibernados, não! Com tudo isto o meu mundo já é mesmo bonito. Tão bonito como o nascer e o pôr do sol, o arco-íris de todas as cores, a aurora boreal e as cores fantásticas do céu, que dos polos alguns ventos as trazem até nós! Não! Tudo isto já não cabe em cada folha pequenina e bem verde, da minha árvore dos desejos. Não cabe porque já não é desejo. Desejo! Desejo, … é tudo aquilo que eu gostaria que acontecesse e que ainda não tenho. Espera... não tenho? Claro que sim. Há uns dias, como vos contei, realizou-se o meu primeiro desejo. Hoje realizou-se o meu segundo desejo, que também já não é desejo porque se realizou.

E continuo na televisão. Pudera! Ainda não podemos regressar à escola!! Mas tudo tem corrido bem melhor cá por casa. Com as rotinas certas, a minha irmã com muitas aulas e o computador também para mim (que sorte!), tenho estado muito atento às aulas de Estudo do Meio (e Cidadania) do #EstudoEmCasa (eu tinha-vos dito que estou no 2º ano: recordam-se?). Temos aprendido coisas novas...tantas ... e a professora Inês faz tantas coisas giras! Sempre que vem a nova aula a primeira coisa que faço é espreitar para a mesa e perceber o que está lá em cima. Já sei que vamos ter sempre muitas coisas para descobrir, que eu nem sonhava. Na minha sala, lá na escola, estão sempre pilhas de manuais e fichas de trabalho na mesa da professora. Coitada! A minha professora tem sempre tantos trabalhos para corrigir. Tantas páginas de manuais para fazer connosco! Não sei quem lhe deu aqueles livros todos que na nossa escola são iguais em todas as salas! Pois, lembrei-me agora que podia pedir à professora Inês que fosse para a minha escola quando voltarmos. E assim, as nossas aulas de Estudo do Meio íam ser espetaculares. Eu acho que ela não se vai importar nada... nadinha! A minha escola tem os meus amigos todos... por isso é a melhor escola do mundo. A professora Inês ía gostar muito. Podia fazer lá outra vez a experiência dos objetos que flutuam... eu fiz uma muita gira: pus uma laranja numa bacia com água e ela flutuou. Depois, descasquei a laranja e voltei a colocá-la lá. Acreditam que a minha laranja agora resolveu ir ao fundo? Fiquei mesmo admirado. Por causa disso, comi-a! Mas senti-me um verdadeiro cientista. Eu estava a fazer experiências. E com a minha mãe a ajudar. Como sempre, agora que a tenho só para mim. E aquela da chaleira? Lembram-se?

Agora que penso nela, e na água a ferver, penso logo no ciclo da água, e no mar... e nas nuvens... e na chuva ou granizo ou neve... e nas montanhas... e nos rios... e no mar novamente... e logo nas nuvens... na chuva... desculpem! Já estou a ficar tonto. Deve ser porque o ciclo da água tem a forma de um círculo que eu aprendi a dizer mesmo bem: cír-cu-lo – palavra esdrúxula, com três sílabas e que termina num “o” e não num “u”, porque o “o” no fim das palavras tem o som “u”. E depois... o círculo é uma forma geométrica que não tem vértices porque é feito com uma linha curva.... tal como a esfera, que é um sólido geométrico de superfície curva... enfim. Às vezes a minha cabeça não pára. Até fico aflito porque estava a pensar em estudo do meio, de repente lembro-me da matemática, e num instantinho estou no português. E acreditem: meio tonto. É que o meu cérebro não está preparado para isto. Acho que me vou sentar um bocadinho! Ufa.

Ah... falta contar uma coisa mesmo engraçada, que acontece no fim de todas as aulas. Estava eu, já a roer a ponta do meu lápis a pensar no que aí vinha para trabalhar depois, e de repente a professora Inês diz assim: “Aqui vai um desafio para fazerem em casa”. Desafio? Que seria isto? Eu nunca tinha ouvido semelhante palavra da minha professora. Nem percebia o que queria dizer. Aliás... estive uma vez para perguntar à minha mãe o que queria dizer quando ela, muito zangada com a minha irmã (eu nem sei bem porquê), lhe disse: “Tu não me desafies... ficas já sem telemóvel!”. Mas como achei que devia ser uma coisa mesmo má, nem perguntei. Imaginem agora quando ouço a palavra desafio da boca da professora Inês! Pus-me logo de pé! Não vinha coisa boa, pela certa! Olha... afinal... fazer em casa um comedouro para borboletas? Como? Água com açúcar, chama-se néctar, e colocado numa tacinha com bocadinhos de esponja, numa janela aberta ou num jardim vai servir de comida para as borboletas... (eu já nem me lembro de ver nenhuma!!!). Nem queria acreditar! Primeiro, não havia TPC. Segundo, o desafio era uma coisa boa. Ou será que agora desafio é TPC?

Bem... diferente é com certeza. TPC é sempre uma seca! Desafio é sempre fixe! Quando voltar à escola vou pedir sempre à professora para me dar desafios. Que bom!!! A minha árvore dos desejos continua. Esta foi só mais uma das suas folhas. Mas tem colada uma folha pequenina: com uma pequena poesia! De Fernando Pessoa, que eu sei que é o nosso poeta. E que eu não entendi muito bem... mas não faz mal. Um dia eu vou entender! Por agora, dou-vos a ler!

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.

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