Correio do Minho

Braga, terça-feira

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A remodelação ou o branqueamento do falhanço do Governo

Plano, Director e Municipal …

Ideias

2012-10-06 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Fala-se nos círculos pró-imos do poder que o governo vai ser remodelado, isto é, vai substituir o Ministro-Adjunto Miguel Relvas que se tornou um peso morto do executivo e motivo de descrédito depois dos episódios das secretas, RTP e licenciatura. Outro ministro a substituir seria o da Economia, incapaz de gerir o ministério. Mas será que é suficiente, depois das gaffes da TSU e das declarações do ideólogo do executivo, o Doutor António Borges?
Em resumo, dizem que o país não entende as medidas propostas, e estando o modelo correto, os empresários e trabalhadores são estúpidos.

Estas declarações revelam mentes que não percebem o que é o governo dum povo, mesmo que esse governo seja repressivo. Para que um governo se aguente, é necessário que haja aceitabilidade por parte dos cidadãos, ainda que a aceitabilidade seja conseguida através da propaganda, marketing político, compra de apoios, ou mesmo repressão. O que se passa é preocupante.

Mas voltando à remodelação. Estando a actividade do governo quase reduzida à área das finanças, e tendo falhado redondamente a política do Ministro, este deve ser classificado como incompetente. Não há que ter medo das palavras.

O Doutor Vítor Gaspar prometeu que com medidas restritivas, o país sairia da crise, e começaria a crescer em 2012. Ora o que se viu foi o aumento da dívida, do desemprego e do défice. E, em vez de estudar alternativas de tratamento, o Ministro acentua a austeridade. É como se um médico depois de prescrever o medicamento que fez piorra o doente, aumentasse a dose, o que o irá matar. Não me digam que é um bom economista, porque não acredito.

Qualquer cientista social sabe que a ciência social implica a explicação dos fatos sociais, e a previsão. O resultado previsto pode ser alterado, manipulando as variáveis (despesa, receita, etc). Ora pouco foi explicado aos cidadãos, embora estejamos numa democracia e isso devesse ser feito. Precisamos de saber qual a origem da dívida, isto é, quem pediu dinheiro, para que foi pedido, a quem foi pedido, como foi gasto, qual o resultado. Nada se sabe. Atribui-se a culpa ao governo do Eng. Sócrates, mas foram os partidos deste governo que provocaram a sua queda com base num programa que resolveria os problemas. Mas verificou-se que não. Como explicar esta irresponsabilidade?

Só se pode explicar porque existem membros do executivo e assessores que pretendem um “novo país” e um “ homem novo”. O Doutor César das Neves no seu jeito de cristão da contra-reforma, fala de um português temperado no sacrifício e na mortificação, o qual renascerá dotado de ambição e dinamismo.

Em resumo, Portugal está metido num grande sarilho por ir-responsabilidade de uns, e loucura de outros. Lembro-me de ter lido um artigo num jornal económico que, na altura do pedido de ajuda externa, sublinhava que Portugal estava num beco sem saída, já que tinha de aumentar fortemente a sua competitividade.

Esta só se conseguia pela baixa dos salários, possivelmente até ao nível da China, o que era de todo impossível; ou pelo aumento da produtividade, que só se conseguia, entre outras coisas, pelo aumento da educação, o que não era possível a curto prazo. Esperemos que ganhem juízo porque o país não aguenta crises políticas e fracturas sociais.

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