Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A Relação Educativa

Uma carruagem de aprendizagens

Escreve quem sabe

2012-06-01 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

“Os princípios do escutismo estão todos certos. O êxito da sua aplicação depende do chefe e do modo como ele os aplica.”
Baden-Powell, in Auxiliar do Chefe Escuta (p.43)

Esta afirmação do funda-dor, no livro que dedicou aos chefes e que tem como subtítulo ‘Guia dos Chefes sobre a Pedagogia Escutista’, vem colocar o mote da pedagogia escutista na relação educativa entre o adulto e a criança ou jovem. Nesta área B.-P. Coloca-se na linha da Escola Nova dando uma nova dimensão ao papel educador.

Não podemos esquecer que os pais são os principais e primeiros educadores dos jovens, no entanto, por força das circunstâncias, estes delegam, muitas vezes, parte desse trabalho educativo: na escola, na Igreja, no escutismo e em outras instituições.
Por isso, esta tarefa, delicada e apaixonante, exige, ao educador, uma grande disponibilidade e sentido de responsabilidade.

Os textos do Concílio Vaticano II - Educação Cristã - caraterizam, desta forma esta missão do educador: “É bela, portanto, e de grande responsabilidade a Vocação de todos aqueles que, ajudando os pais no cumprimento do seu dever e fazendo as vezes da comunidade humana, têm o dever de educar; esta vocação exige especiais qualidades de inteligência e de coração, uma preparação esmeradíssima e uma vontade sempre pronta à renovação e adaptação”.

Nesta linha, o educador deve ser possuidor de um conjunto de qualidades que lhe permitam estimular a criatividade, de tal forma que os jovens desenvolvam a sua própria educação.
Ser animador não é fazer uma obra, mas ajudar os jovens a construir a sua própria obra. Ele deve ser, antes de mais, um bom gestor de estímulos, tanto individuais como coletivos, na perspetiva de uma educação personalizada.

Este adulto deve ser ainda um autêntico líder, capaz de unir os jovens na defesa dos anseios comuns, tendo em vista os nobres ideais do Escutismo, da Religião e da Vida em Sociedade.
Deve ser possuidor de competências de animação, ser aceite pelos próprios jovens como seu grande amigo e que, na hora de trabalho, é mais um.

O chefe, como vulgarmente é tratado o educador no escutismo, conhece a todos com profundidade, sua história, evolução problemática, necessidades, aspirações e deve saber fornecer os elementos necessários para estimular harmoniosamente os dons inatos, assemelha-se, de certa forma, ao “Bom Pastor”.

A partir da amizade e da confiança poderá realizar o seu trabalho, especialmente no plano individual. Daí que a relação jovem/animador, para ser eficaz, tenha de ser pura, sincera e autêntica.
Esta relação positiva e vivencial onde os jovens se autoestimulam na construção e consolidação progressiva da sua personalidade. Tudo que respire superficialidade e “obra de fachada” é um mal a evitar.

A natureza e cultura que cada criança ou jovem possui fazem dele um indivíduo único. A sua personalidade é, em parte, resultante da acumulação e assimilação de experiências favoráveis e desfavoráveis sofridas ou adquiridas na sequência das diferentes relações sociais. Daí a importância das relações vividas com os outros.

Enfim, a relação educativa estabelecida entre o jovem, motor da sua autoeducação, e o adulto, enriquecedor do percurso edu-cativo, é sustentada pela amizade, confiança, cooperação e responsabilidade, enquadra ainda pela consciência de integrarem uma comunidade que aprende e onde o adulto não pode deixar de ser adulto.

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