Correio do Minho

Braga, terça-feira

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A razão do Búfalo

A vida é um diálogo entre fronteiras

Voz às Escolas

2010-03-25 às 06h00

João Luís Dantas Leite João Luís Dantas Leite

A preocupação com a construção da cidadania tem sido uma constante na nossa história da educação. Contudo, nas últimas décadas, ganhou uma nova racionalidade, tornando-se premente a necessidade de preparar as crianças e os jovens para a vida em sociedade na qual os problemas têm de ser discutidos e assumidos colectivamente.

Mas como construir a cidadania, desenvolver o interesse pela vida e pelos problemas da sociedade actual, compaginar as estratégias escolares com uma educação liberal, despertar nos nossos alunos a vontade de participar activamente numa democracia em constante desenvolvimento, capacitá-los para a auto-governação?

É nesta perspectiva que o Búfalo nos interpela ao transpomos diariamente o portão da nossa escola. Qual então a razão do Búfalo? Qual a sua importância? Porque nos olha nos olhos? Diríamos que o búfalo nos sussurra e nos convence de que temos algo a fazer, a favor da protecção ambiental e da salvaguarda da biodiversidade, na assunção integral de uma responsabilidade que é de todos nós!

Foi, pois, neste contexto que o Búfalo foi acolhido no nosso agrupamento com vista à implementação deste eixo programático. Mas não só. Temos em preparação o II Congresso Internacional Escolar: Recursos Naturais, Humanidade e Sustentabilidade, em Maio, (www.cie-portugal.com) assim como diversas outras actividades conducentes à sensibilização ambiental dos nossos alunos.

De entre estes projectos e actividades, passamos a destacar alguns dos mais representativos, pelo seu significado ou simbologia, que permitem uma vivência de experiências individuais e colectivas no terreno:
Aquisição de três búfalos, através de uma recolha de fundos levada a cabo quer no agrupamento quer na cidade, constituindo este o nosso contributo para a acção de repovoamento do Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, bem como para a construção de uma escola nesse mesmo parque de área protegida, numa acção de solidariedade para com um território altamente carenciado a todos os níveis. O recital, com a cantora moçambicana Stella Mendonça, a 7 de Maio, no Theatro Circo, é um outro evento que se reveste de uma importância acrescida pelo espírito solidário que preside à sua realização.

Concurso Internacional de Arte “Quando o mundo se torna tela…”, para o qual os concorrentes se candidatam com pinturas inéditas, trabalhos executados com tintas ‘bebíveis’, produzidas pelos próprios ‘artistas’ a partir de produtos naturais tais como vegetais e plantas, frutos de cor intensa, café, chá, especiarias, etc.

Percursos Ecológicos Urbanos - Olhares e pegadas, destinados à comunidade local ou a quaisquer grupos ou individualidades, de todas as idades, orientados por docentes, durante os quais se identificam plantas da nossa cidade e se abordam assuntos relacionados com temáticas pertinentes relativas ao ambiente e bem-estar. Ao longo deste percurso, desenvolver-se-ão diferentes vertentes relacionadas com o equilíbrio entre o homem e a natureza, durante o qual se aprofundam conhecimentos vitais sobre saúde, promovendo estilos de vida saudável.

Horta Pedagógica, a funcionar numa estufa, como o local privilegiado para se tocar a terra, sentir o seu odor e o seu potencial de produtividade, bem ao nosso alcance, onde se fazem as sementeiras e de onde se transplanta, se colhe, se observa o verde relaxante e apetecível dos vegetais, onde se ‘aspira’ os odores inebriantes das plantas aromáticas… Onde se aprende que o produto local e biológico é bem melhor e menos oneroso para o bolso e para o ambiente!
De tudo o que acabamos de referir, o que mais fica por fazer? Que importa delinear no papel projectos se não os passamos sistematicamente à prática? Se não comprovamos no terreno o que defendemos? Sabemos que mudar práticas e rotinas, profundamente enraizadas e habilmente alimentadas pelo marketing, fugir à facilidade que a ida ao supermercado nos proporciona para adquirirmos uma panóplia de produtos importados, implica muito investimento pessoal e capacidade para vencer uma enorme resistência. Obriga-nos a sair da nossa área de conforto há muito conquistada. Mas quando se é criança ou jovem, o material é bem mais dúctil… Daí a grande aposta que não pensamos perder.

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