Correio do Minho

Braga, sexta-feira

A Propósito do Centenário da Criação da Alcateia no Escutismo

Amarelos há muitos...

Escreve quem sabe

2016-09-30 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Durante o presente ano de 2016, o mundo escutista tem celebrado o centésimo aniversário da fundação da Secção dos Lobitos no Escutismo - a Alcateia, onde se reúnem as crianças com 6 a 10 anos, designadas por “Lobitos”.
Esta Secção foi concebida a partir do livro de Rudyard Kipling “The Jungle Book”, publicado em Portugal pela editora Livros do Brasil, em dois volumes com os títulos: “O Livro da Selva” e “Segundo Livro da Selva”, ambos com tradução de José Francisco dos Santos1.

O ano de 1916, foi considerado o ano fundador, por ter sido o ano da publicação do livro de Baden-Powell “The Wolf Cub’s Handbook” cuja tradução em língua portuguesa foi editada, pelo Corpo Nacional de Escutas, em 1957, sob o título “Manual do Lobito”.
Em bom rigor, a existência de Alcateias, está documentada desde 1914, pois o próprio Baden-Powell, neste ano, anuncia, na revista da Associação Escutista Inglesa destinada aos adultos, Headquaters Gazett, o seu surgimento para o ano de 1916, sob a designação de “uma secção júnior para o Escutismo”.

Neste empreendimento de lançamento da estrutura e publicação do livro enquadrador, o fundador terá tido a preciosa ajuda de sua irmã, Agnes, e, sobretudo, de Vera Barclay cuja ação foi relevantíssima para o êxito desta Secção, de tal forma que foi, simbolicamente, considerada a primeira Àquêlá, isto é, a primeira chefe de Alcateia.

Muitas notícias, surgidas desde 1914, sobre esta “secção júnior” demonstram que ela já tinha adeptos. A própria Vera Barclay aparece como chefe de uma delas, nesse ano e, em 1915, fundou uma Alcateia em Hertford Heath, no nordeste de Londres, mas, na verdade, muitas destas experiências não tiveram muito êxito, por não haver um método e um programa adequados às crianças, de tal forma que, no dia 16 de junho de 1916, numa conferência em Londres, os chefes dos Lobitos reuniram-se para reivindicar o esperado manual para os Lobitos.

É discutível se Vera Barclay participou neste evento e lá se tenha encontrado com o fundador, o que é certo é que o próprio fundador a convidara e que na sequência deste convite ou desta participação, há defensores para ambas as teses, sendo aqui irrelevante tomar posição. Ainda nesse ano, Vera Barclay passou a integrar a equipa liderada pelo fundador, sendo a responsável pela Secção dos Lobitos, posto que manteve até 1927, e trabalhou, intensamente, na reformulação do Manual do Lobito.

Este livro está cheio das suas influências, feitas com entusiasmo e imaginação e, principalmente, de um grande conhecimento da natureza da criança. Ela via, claramente, a necessidade de conservar a essência do método escutista, mas promover a sua aplicação, tão distinta quanto possível, atendendo à natureza das crianças.

Vera Barclay ainda redigiu e publicou dois livros vitais para esta consolidação: “Como se Dirige uma Alcateia”, traduzido, a partir da versão em língua francesa, de Louis Doliveux, por João Parente (Lobão), o comissário geral dos Lobitos adjunto do CNE, e publicado em 1935, e “Sabedoria da Selva - O Livro dos Chefes de Alcateia”, traduzido por Maria Teresa Rabaça Gaspar2 publicado em Portugal pelo CNE em 1982, embora a sua tradução date de 1972.

Tanto quanto julgo saber, por acesso a quatro manuscritos do coronel Graciliano Marques, um dos fundadores do CNE3, à época sob a designação de “Corpo de Scouts Católicos Portugueses”, este dirigente terá sido o primeiro a estudar a problemática dos Lobitos.

Estes manuscritos inéditos versam: “Apontamentos sobre o livro de Vera C. Barclay - Como conduzir uma Alcateia” (incompleto); “Manual de Lobitos” (incompleto); “Plano d’instrução para um grupo de «Lobos» em 12 Lições” e “Jogos para a Alcateia”. Embora eles não estejam datados, a sua grafia remete-nos para os princípios de vida do CNE.

1 - À época chefe nacional adjunto do CNE e presidente das “Edições Flor de Lis”.
2 - Maria Teresa Rabaça Gaspar, apresentou recentemente uma versão corrigida desta tradução, mas que ainda não foi publicada, provavelmente aguarda uma nova edição do livro.
3Graças à amabilidade da sua neta, Maria José Ferraz Marques Caneiro, dirigente da Alcateia do Agrupamento 208 do CNE - Ferreiros - Braga.

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