Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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À procura de D. Sebastião

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2013-04-05 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Se houve um mito que informou a história de Portugal nos últimos quinhentos anos foi o sebastianismo. Os portugueses quando em rutura económica e social acreditam que alguém saído do nevoeiro os virá salvar. Esquecem-se que foi o comportamento de D. Sebastião e sua derrota em Alcácer Kibir que constituiu a machadada final na ruína progressiva do país; uma expansão desequilibrada sem suporte económico interno que se desmoronou nas primeiras dificuldades.

Mas Sócrates não é propriamente D. Sebastião e ao contrário deste não morreu em Alcácer Kibir. Teve a sua oportunidade para explicar as suas decisões políticas, contrastando-as com a situação atual.

Mas que diz Sócrates?
Que procurou alterar a estrutura económica do país, através de investimentos em energias renováveis e alternativas, investimentos em educação e investigação, além de investimentos em obras públicas; e que em 2007 o seu governo tinha a dívida e o défice controlados; e que foi a crise internacional que descontrolou a economia portuguesa. Que apesar disso, tudo fez para evitar o recurso às instâncias internacionais. E que foi a oposição ao votar contra o PEC IV que atirou o país para o regaço da Troika. Ainda segundo Sócrates, o papel determinante neste processo coube ao Presidente da República que intrigou e cavou a legitimidade do governo, provocando a queda do mesmo.

Diz ainda que cometeu alguns erros sendo o maior o ter formado um governo minoritário, já que só se pode impor medidas de austeridade quando se tenha um suporte político alargado.
Esta é a sua narrativa. Não sabemos se no essencial, poderia ter tido sucesso, encontrando-se agora Portugal na situação da Espanha e da Itália, evitando o ajustamento imposto de fora.

E se a política de austeridade introduzida pelos PECs não foi implementada, não se pode comparar com o ajustamento implementado pelo atual governo. Daí que as opiniões dos especialistas se dividam e se apresentem críticas mais baseadas na ideologia e não na realidade.
De uma coisa temos a certeza: as medidas impostas por este governo não só não resolveram os problemas, como aumentaram a recessão e estão a destruir a estrutura económica, desertificando o país. E, pior ainda, estão a matar a esperança e a destruir o futuro.

E tal como no princípio do século XVII, o país está aberto a qualquer D. Sebastião, já que não há racionalidade que resista a esta loucura nacional e europeia. O país está a caminho da destruição; e segundo alguns economistas serão necessárias mais de duas dezenas de anos para retomar o crescimento.

Outro problema que a entrevista do José Sócrates levantou foi a questão dos comentadores políticos. As três televisões estão cheias de ex-ministros e ex-presidentes de partidos que semanalmente nos afogam com os seus comentários. E em vez de assumirem as suas responsabilidades - e são muitas - no estado do país, passam o tempo a desculpar-se ou então a defender de forma clara e encapotada a política do seu partido. Socializam assim os cidadãos numa forma de pensar que só prolonga a partidocracia de que enferma o país. Além de que não são especialistas em análise política e quanto ao seu passado profissional, estamos conversados.
Era bom e salutar que o povo não ouvisse essa gente.

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