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A portuguesa (que morreu duas vezes) e idealizou o Museu do Prado

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Ideias

2019-11-24 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

O Museu do Prado (Madrid) que em 2018 foi o museu estatal mais frequentado em Espanha, com 2,9 milhões de visitantes, assinalou, na passada terça feria, os 200 anos da sua abertura ao público.
É importante recordar que em 1793 tinha sido inaugurado o primeiro museu público de arte , o Museu do Louvre (Paris) atualmente o museu mais visitado do Mundo.
Sendo a Espanha uma das grandes monarquias da Europa, na época a maioria das obras de arte encontrava-se na posse das grandes casas nobres espanholas. Neste sentido, a grande finalidade da criação do Museu do Prado foi a divulgação da arte e da cultura espanhola e europeia, que estava concentrada nas várias casas reais, e concentrá-las num único museu, que pudesse competir com o Museu do Louvre.
Nessa altura eram frequentes os casamentos entre casas reais, com a finalidade de reforçar os laços entre as nações. Foi o que aconteceu com Maria Isabel de Bragança, filha do Rei D. João VI, de Portugal, que casou em Madrid, em 1816, com Fernando VII.
Maria Isabel Francisca de Assis Antónia Carlota Joana Josefa Xaviera de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança e Bourbon, assim era o nome completo desta rainha, cujos dois anos que viveu em Espanha foram marcados por dois acontecimentos totalmente opostos. Um, positivo, prendeu-se com o desejo de criar em Espanha um museu que reunisse as obras principais do país. O outro, mais dramático, prendeu-se com os seus dois partos:a primeira filha nasceu morta. Quando à segunda, o drama foi ainda maior, pois quando os médicos descobriram que o bebé estava morto e repararam que a Rainha deixara de respirar, de imediato começaram a cortá-la, para extraírem o feto que estava morto. De repente, depararam-se com os gritos de dor da jovem monarca, que sangrou abundantemente, acabando por falecer. Desde então, Isabel de Bragança ficou conhecida, para os espanhóis, como a Rainha que morreu duas vezes.
O pouco tempo que viveu em Espanha, a Rainha Isabel de Bragança destacou-se pela sua paixão pelas artes e pela cultura, iniciando os contactos com vista à criação de um museu em Madrid, que reunisse as principais obras de arte da monarquia espanhola. Estes foram os primeiros passos para a criação do Museu do Prado, que viria a ser inaugurado um ano após a sua morte.
Em 1819 este museu abriu ao público com o nome de “Real Museo de Pinturas”. O objetivo da criação do Museu do Prado foi conservar e apresentar “para estudio de los profesores y recreo del público”, tal como vem referido na Gazeta de Madrid, de 3 de março de 1818.
No dia da inauguração, o Museu do Prado expôs 311 obras, todas da autoria de artistas espanhóis. A partir daí, foram solicitadas outras obras existentes no país, que estavam na posse de outros palácios reais. Através do inventário, realizado em 1827, foram registados mais de 4000 quadros existentes em Espanha e que estavam em condições de figurar no Museu do Prado.
O facto da Holanda ter integrado o Império Espanhol, permitiu que fossem reunidos em Madrid quadros das mais importantes pintores holandeses, principal- mente Diogo Velásquez ou Rembrandt.
Quando o Rei Fernando VII faleceu, a 29 de setembro de 1833, surgiu um grande abalo neste projeto, uma vez que, pelo testamento deixado, os seus bens seriam divididos pelos seus herdeiros, bens que incluíam as obras expostas no Museu do Prado. Esta questão ficou resolvida quando a Rainha Isabel II criou uma comissão para avaliar esta herança, tendo daí saído a decisão de manter todas as obras no Museu do Prado. Por outro lado, o museu deixou de ser pertença pessoal do rei e e passou a fazer parte dos bens da Coroa.
Quando, a 31 de dezembro de 1857, foi criado o Museu Nacional de Pintura e Escultura, o Museu do Prado passou definitivamente para a posse do Estado. Este museu recebeu um importante espólio, quando incorporou os bens eclesiásticos oriundos das províncias de Madrid, Ávila, Toledo e Segóvia, na sequência das desamortizações dos bens eclesiásticos.
São milhares de obras, magníficas, que podem ser apreciadas no Museu do Prado. Destacam-se as 220 esculturas da Antiguidade Clássica; os mais de 4 000 desenhos e estampas, nomeadamente os cerca de 500 de Francisco Goya; a coleção de artes decorativas, onde está incluído o famoso Tesouro do Delfim (Luís XVI, de França) e ainda as centenas de pinturas, nomeadamente “As Meninas de Velázquez”, de Diego Velázquez ou “A Morte de Viriato”, de José de Madrazo Y Agudo.
Quando passam 200 anos da inauguração do Museu do Prado, nada melhor do que recordar quem esteve na origem da sua fundação: a rainha portuguesa Isabel de Bragança, que apenas em dois anos de residência em Espanha ficou na memória de todos os espanhóis. Até hoje.

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