Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A política sem ética é uma vergonha

O desastre da extrema-direita

Ideias Políticas

2013-12-03 às 06h00

Hugo Soares

Queria desafiar o leitor para um exercício que eu próprio fiz. O desafio é tentar encontrar o responsável pelas seguintes afirmações: “Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”; “Não se fazem omeletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”; “Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este Governo.” “Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal”.

Ou ainda: “Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível”; “A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós”. E outras ainda mais contundentes:” Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”; “O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”; “Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”; e “A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar”. Todas estas citações estão documentadas e qualquer pesquisa no Google atesta a sua veracidade.

Voltando ao exercício proposto, diríamos todos que estas afirmações poderiam ter sido proferidas por um qualquer membro do atual Governo ou por um qualquer analista mais consciencioso da verdadeira situação que o país atravessa. Mas não. Estas frases são de Mário Soares proferidas quando no início da década de oitenta governou com o FMI, em Portugal. Esse mesmo: aquele que na Aula Magna instiga à insurreição, brada contra a austeridade e em artigos de opinião apela à rua para derrotar as políticas do Governo. O mesmo que praticamente proibiu António José Seguro, quando o Presidente da Republica pediu um consenso nacional, de chegar a acordo com o PSD e CDS. O mesmo que deu cobertura, com o silêncio cúmplice, ao Governo de Sócrates que levou o País às portas da bancarrota e ao pedido de assistência externa.

Ora, a cerca de sete meses de acabarmos o nosso período de assistência e “corrermos” com a Troika, quando a economia dá sinais claros de recuperação (dois meses consecutivos de crescimento que nos tiraram da recessão técnica), quando o desemprego (ainda aflitivamente alto) desce consistentemente em termos sequenciais e em termos homólogos, numa altura em que as exportações continuam a catapultar a nossa balança externar e a confiança parece querer subir (tudo isto são dados factuais do INE, do Eurostat, da OCDE e do Banco de Portugal) só há uma razão para as afirmações repetidas de Mário Soares e quejandos: não conseguem viver com a consciência de um partido de esquerda que levou o país à falência e com uma coligação de centro direita que endireitou o país; mais: não conseguem viver com o fim dos privilégios em que estiveram instalados anos a fio. Mas a esses, o povo português que a tantos sacrifícios tem sido sujeito apenas responde: o vosso tempo passou; e ainda bem!
Como disse Sá Carneiro: “A política sem ética é uma vergonha!”.

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