Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A Páscoa na vida do escuteiro

Um ciclo que se abre

Escreve quem sabe

2012-04-06 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Ao publicar este artigo no dia de Sexta-feira Santa, não podia deixar de refletir que, para os cristãos em geral e para os escuteiros católicos em particular, celebrar a Páscoa é viver o Mistério da Redenção. Por isso, no Escutismo Católico Português, procuramos viver a quaresma, enquanto caminhada de preparação para a Páscoa, como o tempo propício para olharmos para o nosso percurso de vida, para refletirmos sobre o sentido cris-tão que lhe demos, mas sobretudo para, com o aproximar de tempo da celebração do Ressuscitado, pautarmos o sentido da nossa vida com Ele, por Ele e para Ele.

Inspiramo-nos na mensagem do Papa Bento XVI, para este tempo quaresmal, que nos surpreende pela clareza das ideias, pela simplicidade da linguagem e pela força com que nos envolve.
Partindo de um curtíssimo extrato da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24), Sua Santidade apresenta-nos o tema fulcral da sua mensagem e deste tempo: «A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor», desenvolvido em três vetores:
• «Prestemos atenção: a responsabilidade pelo irmão»;
• «Uns aos outros: o dom da reciprocidade» e
• «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras: caminhar juntos para a felicidade».

Esta orientação levou-me a revisitar a missão de educador católico, no movimento escutista, a clareza da simplicidade focalizou a minha atenção no Programa Educativo do CNE no qual, os escuteiros - Lobitos, Moços e Exploradores, Marinheiros e Pioneiros e Companheiros e Caminheiros -, procuram, na vivências das suas atividades, desenvolver a responsabilidade pelo irmão escuta que o acompanha, mas também por aquele outro irmão com quem cruzam, pela primeira vez, um olhar. Ao verem neles a presença do Espírito Santo, valorizam muito mais aquilo que os une em detrimento do pouco que os separa, desenvolvendo assim o dom da reciprocidade e crescendo como construtores de paz.

Este crescimento, enquanto pessoas, leva-os também a crescer enquanto Igreja e, com o evoluir dos seus percursos educativos, todos eles, individualmente e em comunidade, caminharão para a felicidade ao identificarem-se, cada vez mais, com o Homem Novo - o Cristo Ressuscitado.
Espero que, ao vivermos este tempo de meditação e de escolha de novos rumos para as nossas vidas, todos possamos manter a orientação em direção ao Homem Novo, escolhendo o Caminho balizado pelo Amor, para que, também nós, no dia de Páscoa, possamos como Ele ressuscitar para uma Nova Vida.

A convicção que o sentimento humano, pedagógico e teológico do Amor envolve esta missão de educador, aliada à sintonia entre a oferta educativa do Corpo Nacional de Escutas e o pensamento do Papa, serenou o meu espírito, pois sinto que nos aproximamos do “homem novo leve-dado pelo fermento da Páscoa de Cristo” (1Cor.5,7) que a Si próprio se identifica como “Caminho, Verdade e Vida” (Jo.14,6).
O Homem Novo não é uma realidade estática mas dinâmica e, nessa perspectiva, a Justiça, a Libertação, o Desenvolvimento e a Paz são valores que reclamam, quotidianamente, o nosso empenhamento pessoal.

Votos de Santa e Feliz Páscoa.

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