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A pandemia também trouxe coisas boas

A bacia cor de laranja

A pandemia também trouxe coisas boas

Voz às Escolas

2021-06-25 às 06h00

Jones Maciel Jones Maciel

A pandemia também trouxe coisas boas. Com todo o sofrimento que causa esta doença, que está a afetar todo o mundo e onde Portugal não é exceção, parece insensível apresentar esta afirmação. Mas a verdade é que na educação e refiro-me particularmente a esta área, onde o afastamento generalizado do trabalho presencial na escola, quer no ano letivo transato, quer também no presente, e a intermitência quase constante, em muitas escolas, de turmas inteiras e de muitos docentes a terem que passar alternadamente por um regime de isolamento profilático, com as consequências nefastas que isto traz na qualidade do processo de ensino aprendizagem, obrigou, no entanto, todo o sistema, e em particular os docentes a procurar novas formas de envolver os alunos na aprendizagem, recorrendo intensamente a ferramentas digitais de trabalho e particularmente a aplicações online.
Assim, como vem sendo largamente admitido, a pandemia provocou uma evolução digital das escolas que nenhum diploma legal conseguiria impor.

Faz, pois, todo o sentido, aproveitar o grande e meritório trabalho de partida dos docentes desenvolvido nestes dois últimos anos letivos e estruturar adequadamente uma nova forma de abordar o processo de ensino aprendizagem, cruzando o currículo e as aprendizagens essenciais com outros aspetos do «Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória» (PASEO) e a utilização das “novas” tecnologias de informação e comunicação.
A reforma estrutural das redes de internet das escolas está prometida e a disponibilização de computadores a alunos e docentes está a avançar a passos largos, tal como está também em curso a formação de equipas, em cada Agrupamento de Escolas /Escolas Não Agrupadas, que serão responsáveis pela mobilização das comunidades em torno da preparação do Plano de Ação para o Desenvolvimento Digital da Escola (PADDE), respondendo a questões de natureza organizacional, pedagógica e tecnológica/digital.

Este trabalho está a ser enquadrado pelo Referencial Europeu para Organizações Educativas Digitalmente Proficiente (DigCompOrg), tendo presente que 43 % dos europeus não possuem competências digitais básicas e que se prevê que cerca de 90% dos postos de trabalho futuros vão exigir competências digitais e procura ajudar as Escolas a compreender como a tecnologia está integrada e é utilizada no trabalho escolar e em que medida contribui para os processos de ensino e de aprendizagem.
O trabalho não se fica pela teoria e a generalidade das escolas já aplicou um instrumentos de diagnóstico das competências digitais dos docentes (Check in) e um que um outro (SELFIE) que analisa a perspetiva de dirigentes, docentes e alunos no que diz respeito à forma como a utilização das ferramentas digitais está a ser promovida em cada escola, em domínios como: Liderança; Colaboração e trabalho em rede; Infraestruturas e equipamentos; Desenvolvimento profissional contínuo; Pedagogia - apoios e recursos; Pedagogia - aplicação em sala de aula; Práticas de avaliação; Competências digitais dos alunos.

A análise dos pontos fortes identificados e das áreas de melhoria em que é necessário investir será, então, o ponto de partida para a construção do PADDE, que pretende ser, acima de tudo, “um instrumento orientador e facilitador da adaptação e implementação das tecnologias digitais nos processos de ensino e de aprendizagem, ajudando ainda a orientar a definição de estratégias que permitam a exploração do potencial do digital, integrando-o de forma holística na organização” (in apresentação da SELFIE nas sessões de formação).
Há que aproveitar os recursos (humanos, formação, equipamentos, reestruturação de redes de internet entre outras), para dar o salto que é necessário para promover “uma educação escolar em que os alunos desta geração global constroem e sedimentam uma cultura científica e artística de base humanista, […mobilizando para tal] valores e competências que lhes permitem intervir na vida e na história dos indivíduos e das sociedades, tomar decisões livres e fundamentadas sobre questões naturais, sociais e éticas, e dispor de uma capacidade de participação cívica, ativa, consciente e responsável” (in PASEO)
Notem, pois, que a intenção não é ensinar tecnologia, mas promover a aprendizagem usando também a tecnologia.

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