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A ‘Noticia descriptiva da muito nobre e antiga villa de Barcellos’

Frei Tomás dos tempos modernos

A ‘Noticia descriptiva da muito nobre e antiga villa de Barcellos’

Voz às Bibliotecas

2020-02-13 às 06h00

Victor Pinho Victor Pinho

A"Noticia Descriptiva da Muito Nobre e Antiga Villa de Barcellos", de A.M. do Amaral Ribeiro é uma das monografias mais antigas do concelho de Barcelos que integra a “Barceliana”, isto é, a colecção de livros de autores e temáticas barcelenses.
A primeira edição foi publicada, em Barcelos, em Novembro de 1866, e a segunda cerca de um ano depois, ambas editadas por Eugénio Russel de Sá Viana, descendente de uma família lisboeta e que exerceu os cargos de Escrivão da Fazenda, neste concelho e de Amanuense da Conservatória desta comarca e pai do poeta Fernando de Sá Viana (1861-1893) assassinado no Rio de Janeiro, vítima das lutas fratricidas da “República Velha”.
A "Noticia Descriptiva da Muito Nobre e Antiga Villa de Barcellos", livro pequeno, com a dimensão de 14x9,5 cm e 136 páginas, foi escrita, primeiramente, no “Jornal do Povo”, semanário barcelense de vida efémera, fundado em 1 de Maio de 1864 e que terminou em 11 de Novembro de 1866, dirigido numa terceira fase pelo Dr. Rodrigo Veloso e que contou com a colaboração de Amaral Ribeiro.

Só conhecemos a segunda edição, mais correcta e aumentada. Pelo prólogo da autoria do editor soubemos que a primeira edição foi um sucesso, tendo-se esgotado rapidamente, pelo que houve necessidade de fazer uma segunda "para satisfazer alguns pedidos de nossos irmãos d'além-mar", numa referência notória aos barcelenses emigrados na América, sobretudo no Brasil, onde a colónia era numerosa, no século passado.
Autor das introduções, em ambas as edições, o douto bibliógrafo Dr. Rodrigo Veloso (1839-1913) salienta a importância e o pioneirismo da obra, ao afirmar que "por muito tempo esperou Barcelos quem condignamente lhe historiasse o passado e o presente, e por muito mais o esperaria ainda, se um filho seu, e dos mais dedicados, não ousasse tomar sobre si o arrojado cometimento de pagar dívida, de tão longe demandada, dando-nos do ninho seu paterno uma Notícia, que modestamente chamou descritiva."

A “Noticia” está dividida em dez capítulos, falando dos principais aspectos da história de Barcelos e do seu património. Assim, são abordados temas como a origem do nome de Barcelos, armas, situação topográfica, população, termo, homens notáveis, património arquitectónico, igrejas, solares e casas antigas, nome das ruas, origem e percurso do rio Cávado e Ermida de Nossa Senhora da Franqueira, Castelo e Convento.
Diz o autor basear-se na "Corografia Portuguesa" do Padre Carvalho e no “Tratado Panegírico em Louvor da Vila de Barcelos" de Frei Pedro de Poaires, à falta de "dados estatísticos e de documentos".
Na verdade este “Tratado Panegírico” é o primeiro livro impresso, conhecido, que fala de Barcelos. Foi escrito pelo Frei Pedro de Poiares (?-1678), franciscano da província da Soledade, em 1672, e fala abundantemente do milagre das cruzes.

No primeiro capítulo da “Noticia”, quando aborda a questão das actividades económicas e sociais de Barcelos, escreve:
"É povoação farta de todos os géneros necessários à vida, em razão do grande mercado, que semanalmente nela se faz às quintas-feiras, talvez o mais importante de todo o reino por concorrerem a ele para cima de dez mil pessoas.
O comércio permanente é escasso e limitado, constando apenas de 8 ou 9 lojas de fazendas, bastantes de mercearia, havendo em compensação imensas tabernas, não tanto para consumo da terra, como mais especialmente da gente de fora, que aflui à feira.

Não há em Barcelos indústria alguma, quando pela sua posição geográfica, e por outras circunstâncias vantajosas, podia, senão exceder, pelo menos igualar outras terras menos favorecidas da natureza, nas quais se exploram várias indústrias artísticas, e fabris, que fornecendo a seus habitantes trabalho honesto, e lucrativo, dão importância ao país, aperfeiçoam as artes, desenvolvem o comércio e fomentam os bons costumes, banindo a ociosidade, que é a origem de todos os vícios."
Político do Partido Progressista e destacado jornalista, António Maria do Amaral Ribeiro (1809-1879) foi uma figura de destaque no meio barcelense, onde foi administrador do concelho e, no Brasil, onde foi chanceler, vice-consul e cônsul de Portugal em Porto Alegre. Foi Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador de Nossa Senhora de Vila Viçosa. Casou duas vezes, tendo deixado catorze filhos, sendo cinco, maiores, do primeiro casamento e nove, do segundo, menores.

Uma das suas filhas, Leonor do Amaral Ribeiro (?-1938), casou com Fernando António de Figueiredo (1853-1903), comerciante, da freguesia de Barcelinhos, e fundador da Associação Humanitária de Socorros Mútuos Barcelinense, que foram progenitores de Emílio do Amaral Ribeiro de Figueiredo (1883-1954), barcelinense ilustre, famoso contabilista da cidade de S. Paulo-Brasil e Vice-Presidente da Associação Internacional de Contabilidade, com sede em Bruxelas e membro de destaque de sociedades contabilísticas na Bélgica, Perú e Brasil.

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