Correio do Minho

Braga,

A nossa Capital Europeia da Juventude

Como sonhar um negócio

Ideias Políticas

2012-01-13 às 06h00

Hugo Soares

Dois de Abril de 2009. Reunião ordinária da Câmara Municipal de Braga. Foi nessa data e nessa ocasião que Ricardo Rio, dando voz à JSD de Braga, apresentou formalmente a proposta de candidatar Braga a Capital Europeia da Juventude. Foi assim que tudo começou….

O ano de 2012 distingue Braga com o epíteto de Capital Europeia da Juventude. Se esta distinção nos deve convocar para um esforço colectivo de promoção da cidade, não me inibe de partilhar aqui algumas reflexões que se não são de comiseração franca são pelo menos a razão pela qual considero a gestão de Braga tantas vezes bacoca, algumas vezes provinciana e vezes de mais incompetente. É que a audácia do comentário político com juízos de prognose tem pelo menos o mérito de não serem prognósticos de final de jogo. E a política - como dizia Sá Carneiro - sem coragem não tem piada nenhuma.

Assim que Mesquita Machado decidiu entregar a organização e gestão da CEJ 2012 à Fundação Bracara Augusta de imediato foi substituído o seu conselho de administração e tomado de assalto pela Juventude Socialista. Hugo Pires, rosto que quis ser da CEJ 2012, poderia ter olhado o exemplo de Guimarães que envolveu personalidades de vários quadrantes e de indiscutível mérito.

Mas não. Preferiu enxamear a gestão da CEJ com jovens socialistas fazendo deste evento uma coutada da Juventude Socialista. Prova disso é que o Conselho Municipal da Juventude (órgão representativo de todas as associações juvenis do concelho) reuniu não mais do que duas vezes (!) nos últimos dois anos. São aliás recorrentes os lamentos de representantes de associações juvenis, reconhecidas pela excelência da sua intervenção, de falta de envolvimento e oportunidade de “fa-zer”.

Depois quando Ricardo Rio defendeu que se aproveitasse esta oportunidade (a CEJ, bem entendido) para se adquirir e reconverter o antigo quartel da GNR numa âncora de todo o projecto, os bacocos do regime logo vieram acusar a oposição de olhar apenas para o lado infra-estrutural da CEJ 2012. Na verdade, logo fizeram do cimento o apogeu do evento. Assim anunciaram como grandes ambições da CEJ 2012 o projecto Generation (requalificação do quartel da GNR, espante-se!) e a construção da pousada da juventude. Mas como a gestão é verdadeiramente incompetente as duas obras estarão prontas em… 2013.

E as trapalhadas chegaram mesmo até às portas de 2012: o director-geral de todo o projecto, mais um conhecido socialista, demite-se a dois meses da cerimónia de abertura do evento.
Sem explicações.
Como não tem qualquer explicação que ainda hoje nem o próprio rosto da CEJ 2012, o vereador Hugo Pires (até nos vídeos promocionais aparece! A talhe de foice perdoem-me a mordaz ironia: Vítor Sousa e António Braga que se cuidem….), pode dizer com certezas qual o orçamento total para a CEJ 2012.

Enfim, os exemplos de mediocridade sobram em todo o processo de organização da CEJ 2012 e que, no início deste ano que se deseja ímpar, não auguram nada de positivo.
Ainda assim, estou absolutamente convencido dos méritos deste desígnio, o de dar a Braga uma marca de cidade de juventude por excelência, e desejo, com a mesma franqueza que aqui deixei estas críticas, que a CEJ 2012 seja um verdadeiro sucesso.

Termino esta reflexão com a última frase que encerrava a proposta que tive a honra de defender em 2009 e que teve como seu principal mentor o actual presidente da JSD de Braga, João Marques, a quem aqui presto o meu tributo: “Que Braga seja, permanentemente, Capital da Juventude!”

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