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A necessidade aguça o engenho

Novo ano, “ano novo”!

A necessidade aguça o engenho

Voz às Escolas

2020-05-25 às 06h00

Maria da Graça Moura Maria da Graça Moura

No meio de tantos papéis, à espera de uma arrumação mais cuidada, encontrei um artigo, datado de fevereiro de 2011, com o título rumo às competências do século XXI.
Na altura foram selecionadas três turmas do Agrupamento André Soares, uma de cada ciclo de escolaridade, para o desenvolvimento de um projeto piloto com a referida designação e com os seguintes objetivos: exploração da integração sistemática das tecnologias de informação e comunicação no processo de ensino e aprendizagem, … garantindo um mínimo de vinte e cinco por cento de tempo em sala de aula com recurso a essas ferramentas, …
Os docentes envolvidos seriam acompanhados em contexto de trabalho, em sessões de formação creditada. E a grande preocupação da escola era habilitar os encarregados de educação de competências tecnológicas que lhes permitissem fazer o acompanhamento dos seus educandos, nascidos na era tecnológica e a que Marc Prensky chamou de nativos digitais.

Nove anos depois, os nativos digitais são confrontados com a necessidade de testar as suas capacidades, pôr em prática os seus conhecimentos nesta área que nos transporta para outras margens. E o mais interessante é que são guiados, orientados pelos seus professores, imigrantes digitais, tão distantes da sua agilidade tecnológica, a maior parte deles tão longe deste digital.
E, se no início, muitos se sentiram perdidos, quase a sair na paragem mais próxima, o certo é que a necessidade aguçou o engenho e a grande maioria pegou no leme e rumou na direção certa.

Atualmente a escola está a percorrer o seu caminho, focada num grande objetivo – envolver todos os alunos, motivá-los, responsabilizá-los, promover, agora mais do que nunca, as competências do perfil dos alunos do século XXI, livre, autónomo, responsável e consciente de si próprio e do mundo que o rodeia, capaz de lidar com a mudança e a incerteza num mundo em rápida transformação…
É este o papel fundamental da escola pública. Não gerar mais diferenças, não excluir, não viajar apenas com os lugares da frente ocupados. Para isso foram disponibilizados muitos equipamentos que cada estabelecimento conseguiu libertar, foram e continuam a ser contactadas as famílias para chamar os mais ausentes, os menos envolvidos, sejam quais forem as suas circunstâncias, foram designados tutores para acompanhar os que mais necessitam, pelos meios mais facilitadores a cada caso, são disponibilizados materiais em diferentes suportes, continua a ser disponibilizado apoio psicológico aos elementos da comunidade escolar, todos estão em contacto, todos estão ligados.

Os alunos que iniciaram agora nova fase presencial, e as crianças que iniciarão a um de junho, serão o grande foco deste recomeço, os que nos farão acreditar que é possível viver com alguma segurança, enquanto não conquistarmos a liberdade total.
A escola sobreviverá, reabilitar-se-á, com muita dignidade. Pois é com muita dignidade que todas as educadoras e todos os professores se dedicam às crianças e aos alunos, é com muita dignidade que os assistentes operacionais e técnicos se dedicam aos espaços e aos processos, na certeza de que, em breve, as escolas voltarão a ter vida.
Que volte depressa o dinamismo, a energia, o ruído, a criatividade, a alegria nas escolas!

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