Correio do Minho

Braga, sábado

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A misteriosa fera e os homens de Dume

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2015-10-11 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Na nossa memória guardamos alguns episódios que nos são relatados e que vão sendo mantidos de geração em geração. Um desses episódios ocorreu em Braga, passam agora 83 anos.
Tudo se passou em meados de março de 1932, quando alguns habitantes de Braga verificavam, pela manhã, que as suas capoeiras tinham sido violentamente arrombadas e delas tinham desaparecido dezenas de animais domésticos.
À medida que os dias iam passando, esses assaltos tornavam-se cada vez mais uma constante e numa área que abrangia, principalmente, as freguesias de Gondizalves, Maximinos e Semelhe, do concelho de Braga.

Os relatos dos populares destas freguesias eram diários e envolviam um grande mistério pelo meio, pois não havia certezas quanto ao motivo que causava esta destruição. Para agravar a situação, muitas propriedades agrícolas, que na altura eram a base de sustento de muitas famílias, apareciam destruídas por um estranho fenómeno que ninguém conseguia explicar.
Como é comum nestas situações, foram surgindo várias teorias: uns diziam que provavelmente seria uma ou várias raposas; outros afirmavam que seria um ou vários lobos; outros, ainda, sugeriam que tamanha destruição só poderia ser causada ou por um tigre, ou por uma pantera!

Não conseguindo encontrar explicações para este fenómeno, a população destas freguesias, mal o sol começava a esconder-se, protegiam os seus celeiros e os anexos onde se encontravam os animais domésticos, da forma mais segura que conseguiam. De seguida, dirigiam-se para as suas casas, colocando trancas e ferros na porta e ainda armas (quem as tinha) prontas a disparar ao primeiro sinal estranho que surgisse!
Neste ambiente de medo, até os cães mantinham um silêncio inquietante, traduzindo também eles um receio de serem vistos ou ouvidos pelo fenómeno estranho que circundava estas povoações.

Decididos a colocar um ponto final neste episódio inquietante, os homens mais destemidos destas três freguesias reuniram-se numa assembleia popular e resolveram organizar grupos para vigiar e tentarem descobrir a origem desta mortandade de animais e desta destruição de campos agrícolas. Armados com foices, paus, martelos e machados, batiam secretamente os lugares mais recônditos destas localidades.
Na população, o alarme foi ainda maior, quando alguns dos homens que integravam este grupo de forças populares, afirmaram que tinham visto um fenómeno estranho, mas que desaparecia com grande rapidez!

Noutro dia, outro grupo de homens armados juraram ver um animal invulgar, exatamente nas terras de João Rego, um habitante de Semelhe! Perante este dado, o exército de populares montou um autêntico cerco a esta propriedade, decididos a capturar, ou a abater, esta estranha e assustadora fera! No entanto, os dias continuavam a passar e não havia qualquer sinal do misterioso animal. Desanimados, os populares acabaram por desmobilizar.

A ansiedade que marcava a vida das populações destas freguesias manteve-se durante mais duas semanas, agravada agora pelos relatos dos habitantes da freguesia de Dume, que também afirmavam que os seus campos apareciam destruídos durante a noite e que muitos animais domésticos lhes faltavam. Aliás, muitas pessoas de Dume juravam mesmo ter visto um animal estranho, muito veloz que percorria e destruía os campos desta freguesia!

Perante este cenário, foi a vez dos homens de Dume se organizarem em exércitos populares, para tentarem colocar um ponto final neste misterioso fenómeno. Durante vários dias e noites mantiveram-se firmes nos campos e montes de Dume sem, no entanto, conseguirem descobrir o misterioso animal!

Já cansados de tanto esperar pela assustadora fera, e quase a desistir, os destemidos homens de Dume depararam-se com dois cavalos, que eram utilizados nos percursos no Sameiro, e que tinham sido mortos de forma violenta e invulgar! Este acontecimento despertou ainda mais a ira destes guerreiros populares de Dume e todos decidiram fazer um esforço final, na tentativa de encontrar o feroz animal.

Foi neste esforço que acabaram por descobrir um violento rinoceronte, que tinha fugido de um circo que antes atuara nesta região. Determinados, lançaram-se sobre ele com toda a garra, matando-o rapidamente, tal foi a quantidade de lanças que caiu sobre o corpo do robusto animal.
De seguida, já como verdadeiros heróis, resolveram expor o enorme rinoceronte junto ao casino que existia no Bom Jesus do Monte.
Durante vários dias, os bracarenses puderam ver esta fera, que tanto medo tinha causado aos habitantes de Gondizalves, Maximinos e Semelhe, mas que só os homens de Dume a conseguiram abater!

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