Correio do Minho

Braga, terça-feira

A milésima!

Eu gosto é de ir a Fátima!

Voz às Escolas

2018-03-21 às 06h00

João Graça

A média final é um constrangimento para qualquer aluno e família. Para alguns, são anos de dedicação e de luta pela milésima da famosa “nota” que dará acesso ao desejado curso. A tal milésima que é a diferença entre conseguir um objetivo de vida, independentemente das motivações, seguir um outro caminho ou aguardar mais um ano para uma nova” bateria” de melhorias e exames.
Esta é a angústia e o stresse de um qualquer aluno de secundário que pretenda o acesso ao ensino superior, o acesso a uma profissão mais bem remunerada. Esta premissa é confirmada no relatório da OCDE, "Education at a Glance 2017", no qual se mostra que a diferença salarial de jovens com e sem licenciatura é de 69 %, o que obviamente é um bom indicador sobre o impacto salarial da qualificação.
Mas será justo que os nossos jovens vivam esta angústia, ansiedade, frustração e injustiça para chegarem onde querem? A milésima não alcançada dita uma vida de 12 anos de privações e de sacrifícios?
Esta dita cultura da nota angustia toda uma sociedade! São os alunos, os professores, as famílias e a própria tutela…

Basta olhar para o recente projeto de flexibilização curricular. Quantos escolas com turmas de ensino secundário aderiram a este projeto? Quase nenhumas! A adesão foi quase nula! Todos temos resposta para esta falta de adesão, o medo de falhar na hora dos exames! O medo de não haver tempo para sessões de “treino” e de “mecanização” na resolução de exercícios!
Temos que assumir que este modelo de acesso ao ensino superior, baseado na classificação do ensino secundário é redutora, não assumindo como referência as reais competências de cada um, ocultando as capacidades inatas de cada um. Estamos perante uma enorme injustiça! Estamos perante um erro de casting! Este modelo assume-se como inibidor!
O diretor do Departamento de Educação da OCDE, Andreas Schleicher, manifestou a esperança de que Portugal acabe “por deixar cair” o sistema de exames nacionais como única forma de acesso ao ensino superior, uma realidade que identificou como um dos “principais problemas” do sistema educativo português, pela pressão que exerce sobre professores, alunos e famílias e pela uniformização do ensino que promove.
Não existe réstia de dúvida! A escola tem que mudar! A escola tem que se reinventar!

A escola tem que se consciencializar que o acesso à informação é cada vez mais fácil, sendo que aquilo que distinguirá os indivíduos nos seus habitats laborais estará ancorado nas suas competências transversais, sociais e de pensamento crítico. À escola não se “pede” para abolir a aquisição de conhecimento, mas que perceba que esse não é suficiente para ultrapassar os desafios profissionais com que os jovens se irão defrontar. Assim, importa que o “novo” aluno, tal como refere Tony Wagner, Diretor do Laboratório de Inovação da Universidade de Harvard, um dos maiores especialistas do mundo em educação, possua um conjunto de capacidades: aprender a pensar de forma crítica, aprender a elaborar questões, mais do que a memorizar respostas; possua um espírito colaborador; demonstre capacidade de comunicação oral e escrita; resolva problemas de forma criativa.
No futuro o que importa não é, apenas, o que sabemos, mas o que sabemos fazer. As universidades e as empresas precisam de conhecer as capacidades que os alunos possuem. A questão fulcral que é colocada pelas empresas é: o que sabes fazer?

Como refere Jeef Weinner, CEO da LinkedIn, na hora de contratar aquilo que emerge são “habilidades, não diplomas”.
É esta mudança de paradigma que deve ser assumida na escola! Vamos, nos próximos anos, romper com a ideia do classificar e reproduzir, congregar sinergias para o saber fazer e potenciar os life skills. É isso que se exige ao aluno do sec. XXI. É isso que as universidades e as empresas preconizam para os seus alunos e colaboradores!
Nós, Escola Secundária de Vila Verde, acreditamos, veementemente, nesta necessidade de reinventar a escola. Assumimos a necessidade de ensinar os nossos alunos a desenvolver as suas capacidades adaptativas, criativas e inovadoras. Queremos que a inovação assuma papel de referência para potenciar habilidades!
A Escola faz-se com TODOS!

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