Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A loucura como forma de governo!

Cancro do Pulmão – de que morrem os portugueses

Ideias

2013-01-21 às 06h00

Artur Coimbra

Os portugueses estão a viver os dias mais complicados, frágeis, sombrios e voláteis que é possível imaginar desde o 25 de Abril de 1974. Não tenho a mínima dúvida, porque já venho de lá.
Ninguém sabe hoje ao certo o que vai ouvir ou sofrer amanhã. Ninguém consegue prever o que quer que seja.

A instabilidade instalou-se, sem pedir licença; a insegurança, a todos os níveis, é norma quotidiana. Tudo é vão, tudo é precário. O que constituía matéria de “direitos adquiridos”, ou alguma segurança que os cidadãos pudessem ter sobre o que ganham ou ganharam, sobre o “contrato social” que fizeram com o país, deixou de o ser, porque é necessário “sacar” o mais possível, a maior quantidade de gente possível, porque há “buracos orçamentais” que não páram de crescer, apesar de todas as medidas e sacrifícios que impõem aos contribuintes (a esses, obviamente, porque há franjas de portugueses que nada contribuem para o sacrifício nacional; só recebem, em isenções, em subsídios, em rendimentos sociais).

Não se consegue ter uma meta credível, vislumbrar um “fim de linha”, lobrigar a luz “ao fundo do túnel”, que confira algum sentido aos repetidos sacrifícios a que são chamados os contribuintes.
Não há dia sem que a comunicação social noticie novos “estudos”, devidamente encomendados pelo governo, novas medidas que estão na forja para infernalizar ainda mais a já depauperada situação de quem ainda tem algum dinheiro proveniente do seu trabalho diário.
A classe média está a ser massacrada pela máquina trituradora do capitalismo selvagem, cujos rostos mais visíveis são Passos Coelho, Vítor Gaspar e essa entidade demoníaca que dá pelo nome de tróica.

Quando o governo de direita não quer ter o ónus de medidas bárbaras e absolutamente impopulares, encomenda um desajeitado “relatório” ao FMI, com dados absolutamente desactualizados e desajustados, para que os malfadados “técnicos”, que de técnicos nada têm e não são outra coisa que os interessados em empobrecer e escravizar os povos do sul da Europa, a começar na Grécia e a continuar em Portugal, “proponham” o que Passos Coelho pretende implementar.

A preocupação deste bajulador da tróica é o “regresso aos mercados”, o alfa a ómega de uma governação antipatriótica, que se está marimbando para o povo que sofre, para os milhares de crianças que chegam às escolas com o estômago, para as milhares de famílias que sobrevivem graças às instituições de solidariedade social, para o crescente e imparável surto de pobreza que pulula pelo país fora, para os inúmeros estudantes que se vêm obrigados a abandonar as universidades por falta de dinheiro, para já não falarmos dos milhares de jovens licenciados que são obrigados a emigrar.

Os imbecis do FMI laboram um “relatório” que já está mais que confirmado se baseia em dados fantasiosos, erróneos e ultrapassados, para que o governo tenha “razão” na sua estratégia despudorada para destruir o Estado Social, a pretexto dessa insânia da “refundação” das funções sociais do Estado, mero pretexto para poupar os 4 mil milhões de euros. O governo não está interessado em reformar coisa nenhuma de substancial, quer é arranjar aquele balúrdio que resultado dos seus erros de gestão e das incompetências reiteradas do ministro das Finanças, que há-de entrar no Guiness como o mais inepto dos titulares da pasta dos cortes e dos impostos.
Já não bastava a perspectiva de um Orçamento de Estado, como o deste ano, que corta salários, empobrece os trabalhadores e os reformados, aumenta escandalosamente os impostos, em nome não se consegue saber de quê?

Agora a “bomba atómica” é o “relatório do FMI”, enquadrado pelo executivo, que tem em vis-ta desfigurar e descaracterizar a economia e a organização social e política, tal como os conhecemos nas últimas décadas.
O Estado Social está perigosamente em risco; a educação ga-rantida pelo Estado corre perigo, assim como a saúde pública, prestada nos hospitais e nos centros de saúde, onde começam a escassear materiais e onde a política governamental vai no sentido de impor a racionamento dos medicamentos, não em nome da dignidade humana, mas da poupança de uns trocados, para que os corredores do poder continuem a locupletar os “boys” e as “girls” dos partidos da governação.
O governo quer, o governo precisa que os velhos morram e os doentes não sobrevivam. É a eutanásia oficializada, sem dúvida!

Os selvagens do FMI e daqui querem cortar mais 15% a 20% nas pensões de reforma; propõem que o pagamento dos subsídios de férias e de Natal dependam do PIB, o que significa adeus subsídios; pretendem o aumento da idade de reforma para os 66 anos; querem o corte de salários dos trabalhadores até 7%; propõem o despedimento de 120 mil funcionários públicos, em áreas como o ensino e a saúde, tornando cada vez mais precária a assistência aos mais desfavorecidos e empurrando a generalidade dos portugueses para o sector privado, que é o que essa gente quer, demitindo-se das suas responsabilidades. Agora até o Iva do sector da cultura querem elevar para 23%. Supinos ignorantes!...

A pretexto da crise, estão a subverter o país onde vivíamos, atropelando direitos, liberdades e garantias e mandando às malvas a Constituição da República, que é um bibelô que se põe na lapela quando dá jeito e se recrimina quando é necessário respeitar o que a Lei Fundamental estabelece.

Um Estado que levou a construir mais de três décadas, após o 25 de Abril, não é admissível que seja destruído em dois ou três anos, apenas porque há uns agiotas e especuladores que querem tornar os portugueses nos miseráveis de outrora, com a cumplicidade e o beneplácito dos “bons alunos” que estão no governo e que têm a cenoura garantida de que vão ser “premiados” por destruir a economia, aumentar para níveis impensáveis o desemprego, empobrecer a generalidade dos trabalha-dores e dos reformados, empurrar as novas gerações para a emigração.
É a loucura que tomou conta do governo neste país!...

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