Correio do Minho

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A leveza do ser

A Sueca

A leveza do ser

Voz às Bibliotecas

2019-09-05 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Apesar do mês de setembro estar quase a meio do calendário, na realidade parece representar o início de qualquer coisa. Mas mais que um início, este mês assemelha-se a um recomeçar. Um recomeçar de um ciclo de vida, com novas rotinas associadas, com horários a cumprir, após a informalidade das férias no mês de agosto e com a necessidade de vestir hábitos sociais. Estes recomeços são necessários na nossa vida, pois são pontos de paragem e pilares de orientação e execução, permitindo-nos desfrutar plenamente da oportunidade extraordinária que recebemos que é viver e recomeçar. Nos recomeços fazemos sempre promessas, prometemos sempre um início melhor, com mais empenho e dedicação da nossa parte. Para além do que somos obrigados a recomeçar (escola, trabalho…), podemos também incluir outras atividades novas ou recomeçadas, de preferência com novo vigor. Estas atividades “extra” dever-se-ão transformar em bons hábitos, que nos encham de satisfação e nos preparem melhor para perceber o mundo que nos rodeia. Iniciar um novo livro, um novo capítulo da nossa vida, com novas histórias e aprendizagens, são exemplos destas atividades. Devemos permitir-nos experimentar, tentar, falhar, aprender e recomeçar quantas vezes forem necessárias. Cada uma dessas experiências será como um degrau para o nosso desenvolvimento.
O tempo obriga-se à passagem e nós humanos temos de continuar a evoluir no quotidiano real e ideológico, através da existência, da experimentação, da aventura, do aprender, do ser, do querer. “O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.” (Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser)
Busquemos a leveza do ser e trabalhemos para a nossa própria evolução pessoal. É certo que o ser humano falha, erra, mas nesse processo aprende. Esse é o processo natural para o amadurecimento, para a evolução humana. Devemos perseguir as nossas metas e objetivos, amar profundamente o que fazemos, sorrir sempre com vontade. Gargalhemos por coisas singelas e insuspeitas. Façamos valer o nosso presente, esquecendo as falhas do passado, pois tal acto vale sempre a pena, perdoando-nos a nós e aos outros. Planejemos o nosso futuro ao fazer novas escolhas, ao inovar, ao tomar novas opções.
Comecemos o mês de setembro por recordar que há causas maiores, sociais, políticas e metas definidas internacionalmente que apelam à nossa ação. Todo o indivíduo deve aprender a ser e a estar em comunidade. Deve dominar ferramentas que facilitem a sua integração em sociedade, de forma autónoma, dando-lhe mais liberdade para ser. Aprender a ler, a escrever, a trabalhar com as tecnologias da comunicação e informação, a saber ouvir, interpretar, a falar em público, a participar ativa e criticamente, são os desígnios que qualquer país deseja para a sua sociedade. No contexto da aprendizagem ao longo da vida, existe uma diversidade de ações de reflexão e sensibilização para a leitura, a escrita, cultura e tradição. A alfabetização tem sido amplamente definida como a aquisição de um conjunto de habilidades de ler, escrever e contar, aplicadas em um determinado contexto. Hoje, ser alfabetizado também está muito intrinsecamente relacionado com a competência digital adquirida.
A alfabetização e o desenvolvimento de competências individuais são preocupações permanentes de muitas organizações internacionais e governos. O Dia Internacional da Alfabetização é assinalado mundialmente a 8 de setembro, proposto pela UNESCO e apoiada a nível nacional pela Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos (APEFA), contando com o apoio institucional da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional e com os Centro QUALIFICA. Várias instituições são convidadas a desenvolverem ações que promovam a participação ativa da comunidade. Incluem-se as bibliotecas de leitura pública.
Assim, o Dia Internacional da Alfabetização serve de alavanca para (re)começarmos este setembro a pensar o quão importante é continuarmos a aprender ao longo da vida, a conhecer, a possuir habilidades, a participar ativamente em várias manifestações educativas, formativas e culturais propostas por várias instituições. No fundo, ser mais para participar positivamente mais nos destinos do mundo.

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