Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A Leitura como espaço do sonho, do conhecimento e da memória

O governo continua a arder

Voz às Escolas

2013-05-06 às 06h00

Zita Esteves

Atravessamos um tempo de contradições no que diz respeito à leitura: há os que fazem da leitura o alimento para a mente; a fonte do saber; o espaço da memória; o passatempo preferido; a tarefa essencial, e aqueles que a ignoram, usando-a como algo a cumprir em função de um dever que nem sempre é levado a cabo da forma mais simpática. Vista como uma tarefa necessariamente associada à escola e aos seus deveres, alguns alunos realizam-na apenas na perspectiva funcional, muitas vezes, contra a vontade, privando-se, assim, do prazer e da riqueza que a leitura encerra.

Atividade estruturante do ser humano, estaleiro das memórias do homem e do mundo, condutora das cadeias do conhecimento e da ciência, fonte de prazer, a leitura tem sido passada para um plano secundário relativamente a outras actividades aparentemente mais fáceis de realizar. A internet com os seus encantos é um bom exemplo de como as nossas crianças e jovens recusam o prazer de ler - sem ainda o terem descoberto. Devemos perguntar-nos porquê. A leitura é um ato individual que, embora possa acontecer no meio de uma multidão, realiza-se individualmente; é um ato solitário que implica concentração, predisposição; exige também quietude, não só mental, mas também física.

O gosto e o prazer de ler também se ensina; transmite-se; mostra-se. A família deve ser o berço da leitura; o espaço onde devem ser vividas as primeiras experiências com o livro e a leitura. O período difícil que atravessamos traz muitos impedimentos à criação das condições para se poder ‘fazer’ das crianças futuros leitores. A escola sozinha não consegue mobilizar os estudantes no sentido de os conquistar para a leitura como passatempo preferido ou como dever agradável a cumprir.

A consciência das dificuldades relacionadas com a leitura e dos problemas daí resultantes levou à necessidade de congregar esforços para fazer frente às contrariedades. Têm sido levadas a cabo um conjunto de iniciativas cuja finalidade é impulsionar, não só na escola, mas também na sociedade em geral, a leitura. A Semana da Leitura é um tempo e um espaço onde todas as escolas do país que queiram aderir podem viver experiências únicas, em conjunto com a sociedade e com as famílias.

“Não basta aprender a ler e a escrever. É preciso (…). Ler para compreender. Ler para interpretar. Ler para saber. Para ver. Para ser. Ler para participar. (…) Ler é fundamental. (…) Que se leia para se ser mais consciente e mais livre.”1

Foi com este espírito que o Agrupamento de Escolas de Real integrou esta iniciativa - já na sua sétima edição. A Semana da Leitura vivenciada no nosso Agrupamento mostrou que a leitura é também uma enorme força catalisadora: escritores, encarregados de educação, pessoal não docente, alunos e professores, todos experimentaram, em conjunto, momentos onde a leitura foi teatro, poesia, prosa, música… Impulsionado pelo mote ‘Na onda da Leitura’, o Agrupamento viveu dias plenos de experiências de leitura.

Os encarregados de educação puderam mostrar aos seus filhos que ler é uma actividade humana que vai muito além dos limites da escola. Também os alunos puderam mostrar os seus talentos, dizendo ou cantando os seus próprios poemas, ou dramatizando os seus textos. Com a Biblioteca Porto Maia da Escola EB 2,3 de Real como palco, num cenário inspirado no mar, a comunidade educativa do Agrupamento transformou a Semana da Leitura num tempo e num espaço de ler e ouvir ler que terá, certamente, marcado, pela positiva, muitos dos nossos alunos.

‘Ler é viajar pelo mundo’; ‘Ler é imaginação e fantasia’; ‘Ler é sonhar’; ‘Ler é aprender’ são afirmações dos alunos que bem podem mostrar que para muitos não é verdade que ‘ler’ é ‘uma seca’; é, sim, uma atividade plena de riquezas e prazeres que bem pode rivalizar com os meios multimédia, que, de mais fácil acesso, jamais tomarão o lugar do livro e da leitura.

1 In Boletim Cultural da Fundação Gulbenkian, VI série, n.º 2, 1984.

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