Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A Lei e a Promessa do Escuta

Escola em mudança

Escreve quem sabe

2012-02-10 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Dizíamos que a Lei e a Promessa do escuta continham um conjunto de valores que permitirão aos jovens um alargamento dos horizontes na construção de uma personalidade cívica e religiosa cada vez mais forte, justa e solidária e constituíam um dos elementos essenciais do Método Escutista.
Vejamos então o enunciado da Lei do escuta:

1. A Honra do Escuta inspira confiança;
2. O Escuta é leal;
3. O Escuta é útil e pratica diariamente uma boa ação;
4. O Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros Escutas;
5. O Escuta é delicado e respeitador;
6. O Escuta protege as plantas e os animais;
7. O Escuta é obediente;
8. O Escuta tem sempre boa disposição de espírito;
9. O Escuta é sóbrio, económico e respeitador do bem alheio;
10. O Escuta é puro nos pensamentos, nas palavras e nas ações.

Este decálogo permite ao jovem ir construindo o seu percurso educativo balizado pelos valores de cidadania, marcados por uma presença constante do humanismo e embebido no quadro de uma ação democrática.
Os dois primeiros artigos remetem-nos para a honra e a lealdade permitindo desenvolver laços de confiança e de responsabilidade.

Os dois seguintes lembram-nos que não vivemos só e que é necessário ver em cada pessoa um amigo, ajudando-o sempre que necessário, são os valores da solidariedade, da justiça e da felicidade partilhada, aquela que se obtém pela capacidade de ajudarmos os outros a serem felizes.

O 5º artigo conduz-nos no mundo da delicadeza, mas também do respeito social e democrático.
O desenvolvimento do pensamento divergente é fundamental, mas dele não pode resultar nem um opressor, nem um oprimido. É acultura da diferença que se cultiva.
Sendo a vida ao ar livre uma das caraterísticas da vida de um escuteiro, é natural que a preocupação com a natureza estives-se inscrita neste código comportamental, permitindo desenvolver uma vertente da educação ambiental para a valorização do património natural.

Ser obediente não quer dizer ser submisso, abdicar dos seus valores, quer sim afirmar que o valor do respeito pelas decisões tomadas democraticamente, é ter a noção que há tempos para tudo: para formular propostas, para a sua defesa, para a escolha da melhor e para implementar a escolhida, é também o respeito pelo papel social de cada um.

A alegria de viver e a capacidade de a transmitir aos outros, bem como a sobriedade na utilização dos bens materiais, permite-nos desenvolver um conceito de colaboração interclassicista, onde o respeito pelo “ter” do “outro” emerge e onde cada um aprende a viver com o que tem.
Finalmente, o conceito de pureza, isto é, de simplicidade, de beleza e de respeito transporta-nos para um mundo de valores que têm que ser vividos em harmonia com a fé professada.

A Promessa, expressa pela fórmula:
Prometo, pela minha honra e com a graça de Deus, fazer todo o possível por:
1. Cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria;
2. Auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias;
3. Obedecer à Lei do Escuta.

Exprime um compromisso do jovem escuta e, primeiro lugar para com ele próprio “fazer todo o possível” é um compromisso pedagógico que também valoriza a pedagogia do erro, permitindo que o percurso seja feito de aprendizagem com os êxitos e com os erros e coloca o jovem no centro da ação quer institucional, quer social, mantendo o referente expresso na Lei do Escuta.

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