Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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A “geringonça”

O problema do vira-lata!

Ideias

2016-09-23 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Neste final de Verão muito há a dizer sobre os “catarininhos” e “galambistas” do país, ainda meio atordoado e anestesiado pela conquista do europeu do futebol, algo de imprevisto que caiu como sopa no mel para o governo e seus compinchas. Ainda inebriados de felicidade, os portugueses vêm-se esquecendo dos dias difíceis que se vivem e vão-se deixando envolver por todo um folclore de conveniência, jogos de bastidores, risinhos, promessas e mentiras. Agora, com o “ópio” do futebol indígena a marcar presença e a pontuar discussões entre “painelistas” e “sábios”da bola, as graves realidades do país passam-nos ao lado e, numa apatia de “drogados”, vão-se esquecendo os avisos de Bruxelas, as ameaças de cortes nos fundos, os eventuais efeitos perversos do Brexit, as pata- coadas e parvoíces do Centeno, as “habilidosas” baboseiras dos “compinchas”, as fanfarronices e “piadas” do Costa, o descalabro da banca, as desmioladas “catarinices”, os “artifícios” da Mortágua fermentados no fluxo genético e os assanhados “galambismos” de um PS “aconchegado”e levado ao colo por uma esquerda utópica, “estrábica”, sorumbática, habilidosa e afectada por uma “miopia” silenciosa e galopante. Como “angélicas”, “naturais” e inócuas vão-se acolhendo as diatribes dos Canavilhas, Césares, S. Silvas e outros, os “paleio” e “gargalhar” agarotados de certos ministros, a insólita, “mal amanhada” e contro- versa solução (!) das “viagens-convite” para o futebol, as congeminadas manigâncias na avaliação dos imóveis pela AT, a “fiscalização” aos depósitos bancários, as ameaças dum orçamento com agravamento dos impostos indirectos, a criação de um novo imposto imobiliário, os rumores de um novo resgate, etc., etc.. Apenas, e para sorrir e mais tarde recordar, a ida do Marcelo com mais compinchas num Falcon da FA para ver a bola, o seu imprevisto e fugaz flash interview em zona interdita e todo um lamento por na final não ter ido ao relvado para umas selfies, uns abraços e uns comentários (o homem não se cansa de falar, beijar, selfiar, se movimentar, se popularizar e se mediatizar e... de comer o seu bolito de vez em quando!..), o que teria sido ouro sobre azul. Que muito lesto logo regressou num voo em económica para “ligar” a máquina de fazer comendadores e medalhas enquanto em executiva vinha o presidente da RTP, que fora “ligar” os cabos para o directo televisivo. Enfim!...
Esperando-se que tanta “fartura” não venha a dar raia e resultar numa posterior sonegação das comendas por malfeitorias dos novos “comendadores” e “medalhados”, afigura-se-nos que o “impagável” Marcelo está a exagerar e a banalizar as comendas num país cada vez mais terceiromundista, em crise económica e de valores, com a banca de rastos, com a corrupção e os compadrios em alta e um abarrotar de figurinhas políticas sem estatura, sensatez e vergonha, vivendo tão só para os seus interesses e do partido. Na verdade tem vindo a engrossar, preocupando-nos face ao Amanhã, nosso e de nossos filhos, o número de “catarininhos”, “mortáguazinhos”,“jerónimozinhos”, “costinhas”, “galambazinhos”, “passinhos”, “paulinhos”, “cristaszinhos” e quejandos que há mais de 40 anos vêm afundando uma “cantada” democracia, logo desfeita em “fumaça” e “medíocrecracia”, onde os políticos, como “atletas” em competição, tão só se interessam pelo “salto à vara”, ”triplo-salto”, “salto em comprimento”, pular “barreiras” e correr “maratonas” para serem alguém na vida, subir, encher os bolsos e “cavalgar” para o poder, a partilhar depois com os confrades e amigos das Jotas e colagem de papéis, alheios às competências, méritos, valores, e ... interesses do país.
Entretanto soltam-se diatribes contra Bruxelas, mas não se vê o país crescer em produtividade, economia, independência, honestidade e ... em seriedade, e enfrenta-se uma Banca em cacos onde se vêm “encaixando” ex-governantes e “politicozinhos” inábeis, com o povo receoso pelas suas poupanças e novas medidas, como a quebra do sigilo bancário, um agravamento dos impostos indirectos e um novo imposto imobiliário, aliás uma “assolapada paixão” de uma certa esquerda que de Zé Ninguém passou a VIP e quer continuar a viver à custa do Estado e a “assaltar” a bolsa dos outros. O Centeno, atabalhoado, passa o tempo a fazer e a refazer contas (e a rir-se, claro!), o Costa, por genética fanfarronice, continua a dizer patacoadas, soltar piadas e a sorrir com ironia “fingindo” que está tudo bem, esquecendo as realidades, as vozes da razão, do conhecimento, da competência e da experiência, e mesmo as palavras da Teodora Cardoso, Presidente do Conselho das Finanças Públicas sobre o estado da economia e finanças no país. E se a Catarininha, com a “muleta” da Mortágua, euro-cépticos e comunistas, já fala num referendo para sair do Euro como os ingleses, abanando a “gerigonça”, o “gerigonço presidente”, porque já realizado o seu sonho do poder nascido entre cueiros, vem agora preparando um longo Amanhã com nomeações e medidas a preceito, permitindo até aos socratinos afilar as orelhas (Sócrates esteve em Sabrosa, depois na reunião geral da UGT, em encontros, conferências, entrevistas, etc., e já “ foi convidado a dar uma aula na universidade de Verão do PS-Lisboa sobre política externa e globalização”, como flui de uma conversa do «Quiosque» do C.M.( 20.9.16) onde ainda se diz que “seria mais esclarecedor para os jovens socialistas ele dar-lhes uma aula prática sobre como arranjar um amigalhaço e assim viver muito acima das suas possibilidades”, com o que de todo concordamos.
Aliás nós, que não somos de intrigas e nada temos contra o homem, temos muita pena e alguma raiva de não estar presente pois tal aula, mesmo ao domingo, poderia dar-nos umas luzes para angariar uns euritos à surrelfa para pagar as contas, os impostos e viver bem. Mas a grande realidade e uma triste verdade, no entanto, é que neste momento anda meio mundo crispado com o outro meio, até nos media e na Justiça, muito embora as seriedade, honestidade, independência e verdade não deixem nunca de emergir e de assomar nas palavras e actos das personalidades natural e estruturalmente íntegras, humanas, com princípios, independentes, sensatas e bem formadas, que de modo nenhum se assustam, se minorizam ou se deixam levar por quaisquer comentários ou “recados” encomendados, habilidosos “desmentidos”, raivosas “emanações de humor” ou mesmo por congeminados “joguinhos” de bastidores, palacianos, classissistas e de despeito. Aliás Portugal, que perdeu há muito os seus valores de referência, as suas tradições ancestrais e qualidades morais, tão só reclama uma “explicação” convincente e compreensível de tudo o que vem ocorrendo no governo, na justiça e no país, que está mesmo em crise, não interessando outras coisas como o sexo com animais, uma preocupação, saiba-se lá porquê, do deputado “panista”(CM 14.7.16).
E ainda que o “Senhor dos Afectos” e das selfies queira tornar-se num “Prozac” e serenar tudo e todos, o seu optimismo, que intenta esbanjar e distribuir com um beijo, um abraço, a partilha de uma selfie, um sorriso, uma convivência com os cagarros nas Selvagens e Desertas, etc., afigura-se-nos insosso, irreal e quase irresponsável, não fazendo esquecer a gravosa situação em que o país se encontra, e já satura, não produz efeito e até... enjoa. Aliás se “aturá-lo” uma vez por semana ainda se tolerava, ouvi-lo e vê-lo todos os dias já cansa, enfastia e até faz perder o apetite . Mas há que esperar para ver. Face aos problemas que se adivinham com certas leis e o orçamento para 2017, é expectável ver como o Marcelo descalça a bota, já que são por demais conhecidas as virtualidades do Costa em termos de investida, habilidade, coragem e teimosia. Tal como um qualquer experiente pegador de toiros, que teima e não desiste, se o “animal” (leia-se «orçamento» e «leis») não for de caras e à primeira irá à segunda, ... ou mesmo de cernelha. Se for preciso, com a Catarininha e o Jerónimo como rabejadores.

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