Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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A lampreia ‘desMOCAS’...

“As bolhas” de Cidadania

Conta o Leitor

2020-08-26 às 06h00

Escritor Escritor

Estávamos no período da lampreia e os pescadores esposendenses, apaniguados da pesca deste ciclóstomo, espalhavam-se, sempre em movimentos milimétricos, passo à frente, passo atrás, pelo paredão, com os galheiros “afiados” e apontados para a superfície da corrente do rio, em plena enchente.
O ano de 2016 estava a ser um ano mau para a pesca da lampreia e as “águas do monte”retardavam...
Ao longo do paredão - “cú da baleia” -, no redondo, legais e clandestinos, tentavam “pescar” lampreias e no meio deles, abundava a ansiedade e com a lampreia a 30 euros a unidade, as expectativas aumentavam para uma boa e lucrativa “safra”.

O Mocas, pescador astuto e ardiloso, tinha um enorme galheiro, - cana de bambú - pintado a verde, “carimbando” assim, o seu sportinguismo e era perito a apanhar lampreias e com aquele galheiro de um verdinho esbatido, as esperanças aumentavam.
O “chapplin” seu amigo dos históricos jogos de futebol entre o Norte-Sul , com a sua “Cannon”, fazia-lhe companhia e estava à espera que o Mocas desse uma “mocada” a uma lampreia para tirar uma fotografia mas, para sua tristeza, não se apanhavam e o desânimo alastrava-se entre os pescadores e assistentes...
O “Bóias” queria pescar uma estória e era o momento certo porque o “Farol de Esposende” esperava esta “pescaria”...

O Mocas rezava ao “santo Sousa Cintra“, e era animado pelo Camolas, João Carneiro, Tainha, Tone Maria, Azar, Tarrio entre outros curiosos que estavam debruçados sobre o paredão a assistir ao “espectáculo”, com o Chapplin com a máquina pronta para o disparo...
Ouve-se um grito, um alarido!
Olha uma lampreia Mocas! Está junto àquelas pedras, avisou o Guedes...

O Mocas, num hábil salto, lança o galheiro em direção à lampreia e, falhou!
Nova Tentativa, novo falhanço!
O Mocas rogava pragas ao Sousa Cintra, hoje pouco milagreiro, queixava-se ele...
Na terceira tentativa, o Mocas coloca os 4 anzóis do galheiro, mesmo por debaixo da lampreia e com um safanão, aconteceu o inesperado! O Galheiro partiu-se a meio, ficando uma metade em terra e a outra parte, suspensa no rio...

O Mocas envergonhado, cabisbaixo, foi gozado pelos assistentes especialmente pelo Chapplin que conseguiu, pesar de tudo, tirar uma fotografia, à lampreia, já em fuga, toda airosa, para o meio da corrente do rio, em direção ao Cávado.
O nosso amigo Mocas já tinha fisgado uma pequena lampreia, quase famélica, parecendo um irão, que estava enterrada na areia, junto a um rugoso marco de pedra, granito já enrugado pelo tempo...
Chapplin, estou envergonhado nunca me tinha acontecido isto, lastimou o Mocas, macambúzio para o seu amigo, já com a máquina fotográfica a ”tiracolo”, no regresso à marginal para completar a sua habitual caminhada, na companhia do Tarrio e Pilar.
Chapplin, prometes-me que não contas a ninguém isto que aconteceu aqui?

Olha, até te dou aquela lampreiazinha que está enterrada na areia, junto aquele marco de pedra, para guardares este segredo, prometeu o Mocas!
Mocas, está descansado , para guardar um segredo não preciso de nenhuma oferta porque conheces há muito tempo o Chapplin…
Amigo, lá isso é verdade, mas leva a lampreia para um arroz de cabidela e dá bem para quatro pessoas, desde que duas não gostem , acrescentou o Mocas, sempre com o seu sentido apurado de humor….
Bem, já que tanto insistes, vou levar aquela “enguia” que ainda está a “rabiar...”.

O Chapplin, trouxe a lampreia num saco plástico por sinal, verdinho, e levou-a à sempre disponível, “Rosa do Caravelha” para a fazer , com os seus excelentes temperos!
Do Porto, vieram telefonemas do Teófilo, do Paulo, da João, do Nuno, perguntado pelo dia da lampreiada!
Mas, com aquela “enguia” disfarçada de lampreia, gentilmente oferecida pelo Mocas, o dia teria de ser adiado como foi... O segredo tinha que se manter!...
Em casa, o arroz de cabidela feito pelo Pedro, na lareira da tradicional cozinha da jandirinha, foi servido pela Glorinha e soube não a lampreia mas, soube a pouco...

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