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A irresponsabilidade social da construção civil

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A irresponsabilidade social da construção civil

Escreve quem sabe

2021-01-15 às 06h00

Ricardo Santos Ricardo Santos

Enquanto escrevo este artigo, sou informado que o resultado do quinto teste que fiz ao vírus SARS-COV-2 deu negativo. Face à atividade que exerço e à exposição elevada que a mesma acarreta esta é uma boa notícia.
Muito se tem falado nos últimos meses da forma como os profissionais de saúde e as forças de segurança têm sido relevantes perante o risco biológico que o coronavírus acarreta a nível pandémico. Eles são a primeira linha de defesa contra este vírus que nos minou a liberdade e nos retirou da realidade a que estávamos habituados. Sobre eles nada a apontar, apenas assinalo a enorme frustração e revolta que devem sentir perante tanta falta de respeito de partes da sociedade e por tantas teorias de conspiração dignas da Área 51.
É um facto que a liberdade de pensamento pode por vezes ser perigosa e levar o ser humano para campos distantes do discernimento intelectual, da serenidade de pensamento e do respeito pelo próximo. É também factual que democracia significa liberdade, mas que essa mesma liberdade acarreta também responsabilidades individuais que nunca deveriam ser quebradas.
É sobre este respeito que hoje quero escrever, sobre ele e sobre todos os técnicos de segurança e saúde em obras que, tal como eu, têm vindo a assistir a uma excessiva ausência de “responsabilidade“ perante a saúde de terceiros.
A Construção Civil foi um dos sectores que durante o primeiro semestre de 2020 não parou e funcionou quase como um balão de oxigénio para a economia. É bem conhecida a importância do sector da construção para a economia do nosso país.
Poderíamos então pensar que face a esta realidade e uma vez que o sector tem profissionais destacados apenas para a segurança e saúde dos trabalhadores, o mesmo apresentar-se-ia com uma vantagem perante outros sectores da economia face à segunda vaga epidémica.
Pois bem, perante tudo isto, a resposta é contrária à esperada e desejada e, na realidade, nada mudou. Mantém-se basicamente os mesmos comportamentos e mentalidades.
Verifica-se assim os trabalhadores continuarem a recusar usar equipamentos de proteção na face e a terem comportamentos de total irresponsabilidade como se os últimos 9 meses fossem uma realidade distante da vida dos mesmos. Não é pontual, é generalizado. Grande parte dos trabalhadores da construção civil não aceita as medidas impostas pela DGS.
Também se verifica e se compreende que a ausência de compaixão e respeito, sim compaixão e respeito pelo próximo, das entidades patronais que na sua maioria enviam os trabalhadores em carrinhas com lotação máxima e descartam responsabilidades sobre os mesmos, existe, continua a existir e irá perdurar.
A vacinação já teve inicio por toda a Europa e é previsível que a economia comece a ganhar folego e que todos nós retomemos em breve as nossas vidas como as conhecíamos o que é uma excelente noticia.
Até lá contudo, os Técnicos como eu continuarão quase que “sozinhos” a acompanhar as obras de construção civil e a tentar em esforço que os trabalhadores nos ouçam e se comportem como adultos responsáveis para que não sejam mais um número nas estatísticas mortais.

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