Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A importância das associações

O que nos distingue

Ideias

2012-03-23 às 06h00

Margarida Proença

Diz o povo que da união se faz a força, e num registo similar embora num contexto muito diverso, um reputado economista dizia que a grande vantagem de um monopólio era uma vida tranquila - sendo uma única empresa no mercado, está sempre bem, seja qual for a estratégia que defina, principalmente se a necessidade que tivermos do produto que vende for muito grande.

É certo que em situações complexas, quando as dificuldades são muito grandes, é mais difícil reconhecer as vantagens de se trabalhar em conjunto. No entanto, inúmeros estudos, um pouco por todo o mundo, nos mais diversos sectores e contextos, têm comprovado a razão do ditado popular. Que as empresas retiram ganhos de tipos de cooperação mais ou menos formais, escritas ou não, é também muito conhecido e confirmado.

Tanto que o direito da concorrência, na Europa como nos Estados Unidos, restringe os acordos que podem assinar entre si se forem empresas dominantes e em resultado deles o interesse dos consumidores ficar prejudicado. É que nesse caso podem transformar-se em quase monopólios, os tais que têm uma vida tranquila.

Se hoje quisesse, ou pudesse, abrir uma empresa iria precisar não apenas de pessoas e capital, mas também de conhecimento e informações. É fundamental conhecer bem a dimensão do mercado, o número de concorrentes e a qualidade dos produtos ou serviços que oferecem, os fornecedores, os distribuidores, etc. O sucesso da empresa virá associado também à capacidade que tiver de conseguir construir uma rede eficiente de relações que a suporte.

Os contactos que os empresários vão fazendo têm, por sua vez, outros contactos e por aí fora, ajudando a conseguir obter, de forma mais eficiente, os objetivos que se propuseram. Estas redes informais que vão construindo e mantendo, com pessoas, organizações e empresas, mesmo com eventuais concorrentes, são uma importante forma de capital designado por capital social.

Nada disto é novo; as redes cooperativas funcionaram sempre ao longo da história, criando condições efetivas para que as trocas comerciais se fizessem. No fundo, os casamentos arranjados entre casas reais serviam exatamente para garantir objetivos políticos e porventura militares também. Atualmente num mundo cada vez mais complexo, onde a inovação e a criatividade são exigências constantes, onde o acesso à informação é fundamental, mais importante se torna pertencer a estruturas relacionais, onde a multiplicidade de contactos abra portas e funcione como um grupo de suporte.

Este tipo de interrelações organizacionais facilita o desenvolvimento de novos produtos e a entrada em novos mercados. Veja-se a importância das redes sociais no marketing: a informação passa, propaga-se como se fosse um vírus…
As associações empresariais permitem construir essas redes, articulando com outros agentes e instituições, com o governo e com associações empresariais internacionais, e nessa medida em contexto de grave crise são ainda mais relevantes nas economias locais.

As redes têm a ver com a construção e manutenção de relações baseadas na confiança e em credibilidade, profissionalismo, experiência e conhecimentos. Requerem tempo e muitos esforços, mas como o povo diz, da união se faz a força. O individualismo que culturalmente ainda nos caracteriza dificulta o reconhecimento das vantagens que lhe estão associadas, mas que elas existem, existem…

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