Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A importância da Informação

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2015-12-04 às 06h00

Margarida Proença

O Instituto Nacional de Estatística publica regularmente um Boletim Mensal, com dados estatísticos mensais e trimestrais. Aí, são prestadas informações fundamentais sobre as contas nacionais, sobre as condições sociais e ainda sobre os grandes setores da atividade económica, como a agricultura, a indústria, ou o comércio, entre outros. Claro que saem sempre com algum atraso, mas vão sendo complementadas por estimativas diversas, como é o caso da evolução do produto interno bruto (PIB). A informação disponibilizada é de grande importância, nomeadamente para a tomada de decisão sobre políticas públicas e para as decisões de investimento ou recrutamento das empresas. O futuro constrói-se assim, também, sobre estimativas , previsões e simulações com base nos comportamentos passados, mas seguramente sobre interpretações dos mesmos.
A população ativa engloba todas as pessoas que, com mais de 15 anos de idade, constituem a mão de obra que, no seu conjunto, está disponível para trabalhar, independentemente de estarem empregados ou desempregados. Conforme se pode ver na figura 1, a população ativa portuguesa, no final de 2014, era sensivelmente a mesma que em 2000. Desde 2010, que tem vindo sempre a diminuir; em 2013 caiu 1,8%, em 2014 caiu 1,1%. Os dados para o terceiro trimestre de 2015, que terminou portanto em setembro, indicam uma nova queda, de cerca de 1,1%; por outras palavras, entre setembro de 2014 e setembro de 2915, a mão-de- obra disponível totaliza menos 59,9 mil pessoas. A oferta de trabalho é menor.

Figura 1. Evolução da população ativa, 2000-2014
Fonte: Pordata
Parte significativa das razões para esse comportamento está na figura 2; entre 2000 e 2014, o número de emigrantes anuais passou de 21.333 para 134.624 pessoas, ou seja , mais do que sextuplicou. As histórias da mala de cartão já lá vão; parte dessa emigração são jovens, com formação académica e com competências comportamentais adequadas ao mundo de hoje, que concorrem em pé de igualdade a posições de elevada exigência no mercado de trabalho internacional. Poder-se-ia dizer : voltamos á década de sessenta, quando a emigração era fortemente sentida. Mas não : em 1960 emigraram cerca de 32.000 pessoas, em 2014 mais de 134.000.

Figura 1. Evolução da população ativa, 2000-2014
Fonte: Pordata

No que diz respeito á taxa de desemprego, a estimativa mais recente aponta para 12,4%, mantendo-se quase inalterada desde julho. No entanto, a população empregada diminuiu nos homens e nos jovens, embora de forma ligeira. O desemprego nos jovens está ainda acima dos 38%.
Se olharmos para os custos do trabalho, isto é, os custos salariais que as entidades empregadoras têm de suportar, bem como outros custos, como indemnizações, contribuições para a segurança social, seguros e prestações complementares de reforma ou invalidez, e dado o número de horas efetivamente trabalhadas, verifica-se que têm vindo a diminuir. No terceiro trimestre de 2015, o índice do custo de trabalho terá diminuído 9,1% nas atividades da administração pública, ainda que tenham aumentado 2,5% no setor privado.
Alguns trabalhos recentes parecem sugerir que, na União Europeia, o desemprego tem cada vez mais características que são específicas de cada um dos países, e portanto a crise teve efeitos heterogéneos . As reformas que incidiram mais na diminuição dos custos de trabalho e dos salários são menos eficientes do que as que incidem sobre a remoção dos impedimentos estruturais ao acréscimo da produtividade.

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