Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A imagem e o “Q” que não se define

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Escreve quem sabe

2015-06-21 às 06h00

Joana Silva

Cada vez mais se assiste ao culto da imagem. Uma imagem que “tem de ser” perfeita mesmo que seja igual a tantas outras...a mesma forma de vestir, os mesmos penteados ou cortes de cabelo, etc. Mesmo os fatores genéticos, como por exemplo, a tendência para engordar ou emagrecer não são valorizados. Basicamente, os fatores genéticos são aniquilados por crenças pouco reais como por exemplo: “Não emagrece porque não tira à boca!”, ou “ Tão magra! Come mas não engorda, porque não está quieta um minuto.”

Hoje parece prevalecer uma intolerância para se aceitar conforme se é, porque existem sempre defeitos, sempre reparos face ao corpo. Há os que querem emagrecer. Há os que querem engordar. Há até os que já “na perfeição” continuam no alcance de um outro patamar de beleza. Como se tratasse de uma insatisfação permanente. Frequentemente as pessoas que não vão de encontro aos parâmetros atuais da imagem (mais gordinhas (os) ou magrinhas (os) ) tendem a ser alvo de “preconceitos”.

A indumentária é normalmente o alvo imediato de censura quando no vestir de determinadas roupas. É como se houvesse um “protocolo” com o que vestir e não vestir. Com certeza que já assistiu a comentários do género, “Anda de saia com as pernas tão gordinhas” ou “Com aquela camisola nota-se tanto os ossinhos”… desde que a própria pessoa se sinta bem tão e qual como é e confortável, qual o inconveniente?! Convém referir que pessoas mais vulneráveis a estes tipos de comentários tendem a ficar com cicatrizes emocionais como a insegurança e baixa auto estima, “Sou feia assim”.

E tal como diz o ditado popular “ Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, são comentários como estes que sendo sucessivos podem dar lugar ao desenvolvimento de transtornos alimentares e transtornos da personalidade. Por outro lado é importante fazer uma outra leitura da realidade. Normalmente quem sistematicamente critica também parece não estar bem com ela (e) própria (o), porque foca especialmente naquele aspeto, na gordura ou na magreza, daí a necessidade de externalizar o seu descontentamento sobretudo quando se rege por parâmetros elevados de perfeição física.

A situação parece agravar-se ainda mais no que toca ao plano amoroso. Quer-se com isto dizer, quando um(a) gordinho (a) ou magrinho(a) tem como companheiro (a), de acordo como “os olhos externos”, o par perfeito e XPTO. Reagem como se os primeiros não fossem merecedores (as) deste. Defraudam-se espectativas, “ O que viu nele (a)? Tão mal jeitosa(o).”O amor escolhe muitas outras características que não só a inteligência e a beleza. A diferença também encanta. Na opinião de especialistas encontra-se também uma outra correlação, a emoção.

As más experienciam passadas, ou problemas da vida. Isto é, histórias de vida semelhantes e particularmente negativas na opinião destes são um fator de ligação e atração. Não podemos também esquecer outros aspetos, que não dependem de atributos físicos mas sim de formas de estar, “aquele Q que não se define”, manifestamente num olhar magnético, na forma de andar ou do falar. Posto isto, é importante ser-se o próprio, aceitar tal como se é. Sem influência de opiniões ou julgamentos críticos. Todos são diferentes, cada pessoa é especial pelas suas diferenças. Tem-se vidas diferentes, gostos, formas de estar e agir ímpares, por essa razão, a vida não tem de ser modelada por determinados padrões.

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