Correio do Minho

Braga, segunda-feira

A igreja Católica em crise

A vida não é um cliché

Ideias

2018-09-14 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha

Depois de Boston, Irlanda, Chile, Austrália, a divulgação do Relatório da Pensilvânia foi um terramoto. Segundo o relatório, mais de mil crianças foram violadas e objeto de abusos sexuais por parte de cerca de 300 padres. Mas o número pode ser muito superior, já que muitos registos foram perdidos e muitas das vítimas foram silenciadas pelas autoridades clericais. De resto, o relatório acrescenta que o comportamento da Igreja Católica se caraterizou pela prática do encobrimento e do silêncio.
E é tão repugnante este comportamento que o Procurador-Geral da Pensilvânia defende que a Igreja Católica seja levada a tribunal sob acusação de “organização criminosa”.
Os casos sucessivamente revelados, não apenas nos Estados Unidos, demonstram que as práticas pedófilas se tornaram recorrentes no seio das organizações católicas.

Perante isto, como reage o Papa Francisco? Condena naturalmente estes comportamentos do clero e pede perdão pelos abusos. Mas, entretanto, um terço dos cardeais da cúria romana são suspeitos de encobrimento e de comportamentos pouco corretos; e muitos destes cardeais foram nomeados pelo próprio papa.
Isto significa que o papa está cada vez mais preso numa malha de contestação. Os conservadores aproveitam-se destas fragilidades para lançarem ataques à figura do papa e à abertura da Igreja, personificada por Francisco. E apelam mesmo à sua resignação, pois, segundo os mesmos, o papa tem consentido sucessivas heresias. Nunca se viu tal desde Avinhão

Isto significa que o papa tem que ultrapassar a fase das desculpas e do pedido de perdão, devendo avançar rapidamente para uma reforma da Igreja Católica.
Para a opinião pública em geral a causa deste comportamento estaria relacionada com a imposição do voto de celibato imposto ao clero católico. Embora concorde que se trata duma prática obsoleta que naturalmente teve a sua razoabilidade noutros tempos e noutras circunstâncias, penso que invocar este argumento, significa desculpabilizar os criminosos acoutados no seio da Igreja.
As práticas pedófilas são crimes repugnantes que se podem explicar porque a Igreja aceita como futuros clérigos pessoas que têm estas tendências; ou, então, a sua estrutura de formação gera comportamentos deste teor, porque feita em ambiente fechado, hermético e doentio em que a mulher continua a ser o demónio.
Não se trata, pois, da consequência da repressão sexual que pode ser resolvida duma forma normal.
A Igreja que se cuide, pois me parece que já hoje muitas famílias pensam seriamente em não colocar os seus filhos em colégios católicos.

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