Correio do Minho

Braga, quarta-feira

A História não pode repetir-se

Cancro do Pulmão – de que morrem os portugueses

Ideias

2016-05-02 às 06h00

Carlos Pires

1. Estive recentemente em Berlim, a capital da Alemanha, cidade que de resto eu já visitara no passado. É uma cidade cheia de atrações turísticas e que denota uma vida cultural rica, recheada de teatros e museus. É caracterizada por um modo de vida animado, mas ao mesmo tempo descontraído e “cool”. Berlim, a metrópole em que não se ouve o barulho do trânsito, determina as tendências mais recentes em estilo de vida, música e arte.
A mudança é uma característica desta cidade e por isso é tão fascinante (re)visitá-la. E de onde lhe virá tão especial áurea? O facto de ter sido palco de episódios da história mundial recente moldou para sempre a sua forma de ser e de estar. Quase toda a Europa sofreu na “pele” os horrores da II Guerra Mundial. Há tão pouco tempo (1939-1945). Mas nenhuma outra cidade europeia foi tão massacrada como Berlim e o seu povo, vítima de privações e de grande sofrimento, durante a guerra, mas sobretudo no período pós-guerra.
Aproveitei esta estada em Berlim para, uma vez mais, visitar a “Topografia do Terror”, um museu que documenta os horrores do período nazi, bem como o término da Guerra, com a consequente partilha da Alemanha entre as nações aliadas, e que nos oferece um impressionante registo fotográfico e vídeo. Aliás, terão sido as tensões surgidas entre os países aliados, bem como o êxodo de pessoas da parte oriental (soviética) da cidade para a parte ocidental (controlada pelas restantes forças aliadas, Inglaterra, França e EUA), que motivou a decisão, pelos soviéticos, da construção, de um dia para o outro (madrugada de 13 de Agosto de 1961), do Muro que dividiu Berlim. Um Muro que desumanamente dividiu pessoas e famílias, até à sua queda, já em 1989.
Visitar Berlim proporciona uma nova visão da história recente. Berlim conseguiu renovar-se. Exemplarmente. E é hoje uma cidade nova, moderna e livre.
2. Será que o que aconteceu em Berlim alguma vez se repetirá na história? Confesso que não estou seguro da resposta. Episódios recentes revelam-me que a intolerância, causa de todos os males e de todas as guerras, ainda reina. Pior, está a banalizar-se, com a anuência de todos nós.
Pergunto-lhe a si, caro leitor, como reagiria se eu lhe dissesse que morreram 400 pessoas? Com sobressalto, certamente. E se eu acrescentar que essas mortes ocorreram num naufrágio de imigrantes no Mediterrâneo ou num “raid” bombista no Afeganistão? Tenho a certeza que a indignação que tal notícia possa ter causado é de imediato “atenuada”. Porquê? Certamente porque a banalização de tais notícias já nos predispôs para sentimentos de impotência, de incapacidade para alterar este estado de coisas. Passamos a achar normal. Tal como muitos alemães, na altura do nazismo, acharam banal o extermínio de judeus.
Eu sei que a comparação que acabei de efetuar pode parecer violenta. Mas se o leitor pensar melhor, a diferença entre esses exemplos, separados por 75 anos, não é muita.
Ainda, maus ventos sopram, quer da América, quer da Europa, quanto à estirpe de algumas possíveis novas lideranças políticas. Da Terra do Tio Sam chegam-nos notícias de que o Mr Donald, o Trump, com o seu discurso fraturante, eivado de sentimentos anti globalização, anti-NATO, anti-CHINA, anti-COMUNISMO, anti-EUROPA, poderá ser o vencedor das próximas eleições presidenciais. Por outro lado, na “certinha e impoluta” Áustria - sim, essa mesmo onde nasceu Hitler -, venceu, em eleições de idêntica natureza, a extrema-direita, resultado a confirmar no próximo dia 22.
O Nazismo, a construção do Muro que dividiu Berlim durante 28 anos, constituem símbolos drásticos do despotismo e da intolerância. Símbolos que exigem de nós. Que exigem que cuidemos para que a História não se repita.

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