Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A gestão da cidade e os seus actores

As Bibliotecas e as Escolas

Ideias

2016-05-30 às 06h00

Filipe Fontes

Não sendo tema directamente relacionado com a cidade, é tema incontornável para a cidade.
Porque a cidade é gerida pela administração pública e pelos actores da política urbana, ou seja, por pessoas e para pessoas, a qualidade dessa mesma administração e desses mesmos actores é condição fundamental para o seu sucesso e credibilidade.

E sendo feita de decisão e técnica, estratégia e operacionalidade, equipa e indivíduo, a administração pública e o conjunto de actores políticos depende, factualmente, dos seus membros, sejam de natureza, importância e desempenho diferenciados no tempo e no espaço.
Concentrando a reflexão sobre o arquitecto e administração pública, de uma forma genérica, o arquitecto na administração pública desempenha um triplo papel: o funcionário, o profissional e a pessoa.

O funcionário reporta directamente à instituição e cumpre obrigações de colaborar no seu bom desempenho e resposta aos seus objectivos. Implica respeito e solidariedade institucional (tantas vezes confundida com subserviência e dependência).
O profissional defende uma actividade profissional, um saber especializado, uma “profissão” e persegue o dever do bom exercício das regras e normas de “bem executar” e “bem usar” inerentes ao título profissional.

A pessoa, que significa ser humano em relação com outro ser humano, não esquece que integra uma comunidade e que só a partilha de esforço e de colaboração, da atenção e sã convivência poderão alimentar um ambiente propício à resposta justa e qualificada que todos procuram.
Será na conjugação - tantas vezes instável e frágil, e por natureza, subjectivo e mutável - destes três papéis, na sábia relação e complementaridade da lei, deontologia e moral que se centrará o (bom) desempenho da administração pública.

Transferindo a reflexão para o conjunto de actores da política urbana (na prática, os decisores), identificam-se três atitudes indispensáveis e verdadeiramente estruturantes da mesma actuação. Síntese, coerência e equilíbrio.
Síntese enquanto capacidade de todos ouvir, tudo ponderar para, no fim, valorizando cada situação e posição na sua justa medida, ser capaz de agregar e sintetizar, assegurando o importante e prioritário.

E tal só será possível caso a coerência acompanhe a síntese. Porque será na capacidade de manter o foco no caminho escolhido, e na utopia que se persegue, que não se facilitará a divergência, que não se permitirá tergiversar, afinal o grande risco de quem tudo ouve, de que a todos acede…
Por fim, e não menos importante, equilíbrio como fiel da balança e o gestor dos ponderáveis e imponderáveis em presença. Porventura, não facilitará a ruptura mas contribuirá para o ajustamento, processo mais lento mas que, na cidade, se julga muito mais assertivo, amigo e eficaz.

Seja como for, entre a administração pública e os decisores políticos, entre uns e outros, sempre, mas sempre, qualquer atividade será referenciada à Ética, a arte do “fazer o bem” que, a cada um, compete construir e concretizar.
E será esta Ética a justa medida do compromisso entre os vários papéis e atitudes e a chave para alcançar um duplo bem-estar: eu comigo mesmo. Eu com os outros.
E, se assim for, a administração pública e os decisores políticos desempenharão bem a respectiva função e serão parte integrante da comunidade. Nunca o seu contrário!

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